Os jovens que fazem o PNUD

Posted 10 de August de 2021

“Não há nada que possamos fazer com sucesso no continente africano hoje, e que tenha impacto, sem os jovens de África”, disse em Maio deste ano a Directora Regional do PNUD para África, Ahunna Eziakonwa. Na Semana do Dia Internacional da Juventude (12 de Agosto) recordamos as palavras da Ahunna , enquanto reflectimos sobre como as vozes e as acções dos jovens têm feito a diferença no continente africano e no mundo. Em tom de agradecimento, contamos-lhe aqui as histórias e testemunhos de quatro jovens que ajudam o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento a cumprir a sua missão em Angola.

Todos os dias eles doam a sua energia, vitalidade, criatividade e iniciativas, nas mais diversas áreas do escritório do PNUD, para garantir que os projectos e planos se realizam como planeado e que alcançam a todos, principalmente os mais vulneráveis.

Anderson Makonda, Assistente Administrativo e Motorista.

Anderson Makonda

“Eu sou o Anderson Makonda, tenho 29 anos de idade e sou Assistente Administrativo e Motorista. Trabalho há mais de 9 meses no escritório de Benguela do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

“Tenho a honra de trabalhar pelos dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), propriamente na área de Saúde e Bem-Estar e ‘dar a vida para salvar Vidas’”.  O jovem apoia o projecto do PNUD e Fundo Global de luta contra a SIDA, Tuberculose e Malária e mostra estar orgulhoso por participar no “projecto piloto que vai ajudar o sistema nacional de saúde” a combater estas três doenças “e a Covid-19, que é um dos principais problemas que o mundo enfrenta hoje”.

“Todos os dias me apaixono mais pelo meu trabalho e a minha vida mudou desde que comecei a trabalhar no PNUD. Numa escala de 1/10, dou nota 9. Posso dizer que o Anderson de ontem não é o mesmo de hoje. O PNUD moldou-me e tornei-me mais confiante e mais sonhador.

Em minha opinião, a juventude é importante para moldar activamente o papel do PNUD no país e no mundo. É uma juventude que quer melhorar, quer estar num outro nível. Muitos estão à procura de se autodesenvolverem em diferentes áreas, a nível pessoal e profissional, e desenvolver habilidades de criar negócios. Hoje os jovens estão sedentos de conhecimentos e por criar oportunidades para si e para outras pessoas e ajudar a cumprir aqueles que acabam por ser objectivos colectivos. Os jovens acabam por ter uma vertente positiva, proativa, e ávida para ver muitos problemas solucionados e participar na solução e concepção de vários programas que o mundo tem estado assistir, no àmbito do seu desenvolvimento. Temos hoje uma juventude angolana cada vez mais interventiva.”  

Josyanne Costa, Assistente de RH e Aquisições.

Josyanne Costa

Sou a Josyanne Costa, tenho 25 anos e sou Assistente de RH e Aquisições no PNUD desde 2018.

Eu acredito que o meu trabalho é importante para o PNUD Angola porque todas as actividades e resultados são alcançados com a contribuição directa da unidade de operações, da qual faço parte. Somos responsáveis por diversas actividades que envolvem a gestão humana e de bens e serviços. Mas, no geral, somos responsáveis pela aquisição de todos os bens e serviços e pelo manejo do sistema que garante que cada serviço prestado seja entregue de acordo com as políticas do PNUD, a fim de atender às necessidades das unidades do PNUD e dos parceiros. Com o nosso trabalho, eles são capazes de acompanhar as suas atividades diárias e unir esforços para atingir os seus objectivos. Além disso, faço parte de uma equipa responsável pela gestão de recursos humanos e o nosso trabalho é feito tendo em atenção que as pessoas que temos e as que queremos vão se focar no que é realmente importante: o desenvolvimento de Angola.

Desde que comecei a trabalhar para o PNUD, tive a oportunidade de me aprimorar pessoal e profissionalmente. Foram me dadas várias oportunidades e sou muito grata por estar num ambiente cheio de desafios e oportunidades de aprendizagem. Dw momento, considero-me uma profissional “em construção”, mas já hoje aprendi muitas habilidades técnicas e comportamentais que mudaram a minha maneira de ver e fazer as coisas, portanto, estou ansiosa para continuar a crescer e explorar novas perspectivas neste ambiente de trabalho.

Estamos num contexto em que a juventude está a avançar muito rapidamente em direcção ao desenvolvimento. Queremos criar, mudar e ver o mundo como um lugar melhor. Essa é a nossa força e estamos dispostos a trabalhar para isso! Acredito que toda a mente jovem pode se identificar e se sentir representada pelo papel do PNUD no país e no mundo porque, assim como a Juventude, o PNUD está num processo de promover o crescimento e o desenvolvimento de diferentes contextos, explorando formas alternativas de fazer as coisas e trabalhando com soluções e ideias inovadoras. Acredito que essas duas energias combinadas criarão sinergias que tornarão o alcance das metas mais eficaz.

Um momento que nunca vou esquecer?

A minha língua materna é o português e aprendi inglês sozinha e nunca tinha estado num ambiente onde todos falassem inglês até 2019. O PNUD deu-me a oportunidade de participar num Workshop de Voluntariado da ONU no Quênia e, pela primeira vez, estive envolvida numa actividade onde tive de interagir e desenvolver actividades de trabalho em equipa com colegas de diferentes países, durante 5 dias seguidos. O facto de ter de sair da minha zona de conforto e abraçar este momento foi muito desafiador para mim mas, felizmente, descobri algumas habilidades linguísticas e comportamentais que acredito que estavam ocultas porque nunca tinha sido exposta a esse ambiente. Sempre serei grata ao PNUD por esta experiência, porque o aprendizado e a troca de experiências com os colegas não tem preço.

Nelma Saiundo Pereira, Assistente de Gestão de Compras e Suprimentos.

Nelma Pereira

Eu sou a Nelma Saiundo Pereira, tenho 28 anos e sou Assistente de Gestão de Compras e Suprimentos. Trabalho no PNUD há 5 anos. Eu comecei como estagiária, por seis meses, sem previsão de continuar a trabalhar no PNUD após o estágio, mas fiz meu trabalho tão bem que meu orientador propôs que eu continuasse como consultora. Após o término do meu contrato, eu inscrevi-me para uma vaga como prestadora de serviços e passei. Então, tornei-me a primeira estagiária a ficar e a ter um contrato de serviço no PNUD.

Acredito que o meu trabalho é essencial para o PNUD Angola porque o meu trabalho ajuda o escritório a alcançar os muitos Objectivos que conduzem Angola ao desenvolvimento. Sinto que quando faço o meu trabalho com eficiência, estou a ajudar pelo menos uma pessoa.

Eu gosto do que faço. Gosto de trabalhar sabendo que posso ajudar pessoas e ajudar o país, sem fins lucrativos. Antes de me juntar ao mundo do PNUD, eu acreditava que o trabalho era apenas para me dar dinheiro para eu ser uma pessoa de sucesso; agora, trabalho significa mais. Trabalhar no PNUD torna-me mais humana. Acho que entendo melhor os outros e me consigo colocar no lugar deles.

Sempre fui uma pessoa justa, mas agora sinto que sou mais. Eu luto pela igualdade de gênero, raça e todos os tipos de igualdade que os seres humanos podem alcançar. O PNUD ensinou-me e fez-me gostar de lutar pelas minorias.

Os jovens vêm com novas ideias, novas maneiras de ver o mundo e podem mudar mentes. Precisamos de começar a pensar de maneira diferente para fazer as coisas de maneira diferente. A juventude tem o “sangue novo” e as novas ideias de que o país e o mundo precisam.

Um momento que me marcou?
Quando comecei como estagiária, o PNUD não dava nenhum subsídio aos estagiários. Depois de dois meses a trabalhar, participei numa reunião de equipa. Fiquei surpresa por ver que os estagiários do PNUD estavam incluídos na reunião de equipa e tinham voz, como qualquer funcionário. O objectivo do encontro foi que cada um indicasse os pontos fortes e os desafios de seu trabalho.

Naquela época éramos três estagiários e a certa altura  tivemos permissão para falar. Fui a última a falar e depois de falar sobre o meu trabalho, falei sobre os meus colegas estagiários que moravam longe do escritório, na cidade. Fui forçada a intervir por eles porque eu tinha o meu carro, mas eles não. A falta de subsídios dificultava o acesso ao escritório e o desempenho de suas funções. Este estágio favoreceria os jovens angolanos que podem comprar um carro, mas não ajudaria os muitos jovens competentes de baixa renda.

A reunião estava sendo conduzida pelo então Coordenador Residente, que na época também era o Representante Residente e eu pedi que considerassem a implementação de, pelo menos, um subsídio de transporte para que todos pudessem ter as mesmas oportunidades. Passados ​​alguns dias, fiquei surpreendida com a notícia de que o meu pedido foi ouvido e a partir daquele momento os estagiários passaram a receber um subsídio de transporte, que dura até agora. Com o tempo, o valor melhorou e hoje temos um sistema mais justo para os estagiários.

Edgar Muinga, Digital Designer Gráfico.

Edgar Muinga

Sou Edgar Muinga, tenho 26 anos e sou Digital Designer Gráfico. Trabalho no PNUD há cerca de dois meses.

O mundo está a assumir modelos e formatos de comunicação muito pautados pelo predomínio de imagens e mensagens de rápido consumo. Comunicar-se com eficiência e a alta velocidade para as pessoas tornou-se uma ferramenta fundamental para sermos compreendidos e agirmos.

O design/comunicação visual facilita esse processo ao transformar volumes de informação com os quais instituições como o PNUD costumam trabalhar, tornando-os mais fácil de entender e colocando as acções do governo sob os olhos das pessoas. Este processo é útil para a cidadania.

Os jovens têm a energia necessária para catalisar mudanças e desenvolvimento em qualquer país como o nosso. Nas últimas duas décadas tivemos vários exemplos, pelo continente e globalmente, de como o engajamento juvenil é relevante para remodelar perspectivas e conduzir-nos em cenários em que diferentes vozes ganhem importância e notoriedade. Precisa-se de dar mais acesso às ferramentas políticas aos jovens.

O fato de o primeiro projecto visual que desenvolvi ter sido para a iniciativa do Fundo Global, que actua sobre temas de extrema importância na saúde pública no país, foi importante para mim.

No ano passado, o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, disse no seu discurso para o Dia Internacional da Juventude que devemos “investir muito mais na inclusão, participação, organizações e iniciativas dos jovens” para realizarmos a promessa das novas gerações. Esse tem sido um dos motes do PNUD em Angola.