Investir no Futuro de África: Perspectivas da Juventude antes da Cimeira UA–UE

20 de Novembro de 2025

À medida que os líderes da União Africana e da União Europeia preparavam-se para se reunir em Luanda na Cimeira União Africana–União Europeia, os debates sobre cooperação, transformação económica e desenvolvimento humano assumem uma urgência renovada.

Com a transição demográfica de África em curso e os jovens a representarem a maioria da sua população, a Cimeira ajudará a moldar as condições em que a próxima geração irá aprender, participar e liderar.

Neste contexto, o PNUD e o UNICEF promoveram, em Luanda, o Diálogo de Políticas para a Juventude “Investir no Futuro de África”, reunindo jovens líderes, parceiros de desenvolvimento e instituições para reflectir sobre os investimentos sistémicos necessários para ampliar as oportunidades para crianças, jovens e jovens mulheres.

Um diálogo que ofereceu um espaço estruturado para perspectivas frequentemente sub-representadas nos debates de políticas públicas, em particular em temas como o acesso à educação, as persistentes barreiras de género e os obstáculos adicionais enfrentados por jovens com deficiência.

Os jovens não são um grupo simbólico. Somos um motor de criatividade, inovação e resiliência. Mas para libertar esse potencial são necessários investimentos intencionais e mensuráveis.
Elena Acebes, Ex-AfYWL

A liderança feminina emergiu também como um tema central em várias intervenções. Numa mensagem partilhada com os participantes, a ex-bolsista angolana do AfYWL, Elena Acebes, recordou que a liderança não começa com um cargo, mas com os ambientes em que as raparigas crescem. "Se queremos que as jovens mulheres liderem, temos de transformar as condições fundacionais que moldam as suas primeiras experiências. Tudo começa quando uma rapariga se sente protegida, quando se sente valorizada e capacitada para usar a sua voz sem medo."

Adja Sy, também ex-bolsista, destacou de que forma oportunidades significativas podem moldar tanto a confiança como a capacidade de agir. “Durante a bolsa, tornamo-nos actores do desenvolvimento e somos integradas em espaços onde se tomam decisões reais. Quando nos são confiadas responsabilidades que realmente importam, começamos a ver-nos não como alguém que se está a preparar para liderar, mas como alguém que já está a liderar”, descreveu, ao reflectir sobre a sua experiência em Addis Abeba.

Ambas as perspectivas apontaram para uma verdade mais ampla, ecoada ao longo de todo o diálogo: os jovens prosperam quando estão rodeados de ecossistemas fortes, mentores, redes e instituições que acreditam na sua capacidade de liderar.

Partindo desta ideia, Joachim Valot, fundador da CYTO, partilhou como programas como o timbuktoo, a iniciativa pan-africana de inovação apoiada pelo PNUD, ajudam jovens inovadores a passar das ideias à implementação, ligando-os a financiamento, orientação técnica e redes continentais.

Photo: Panelists on stage during a conference discussion, with water bottles on the table.

Joachin fala da sua experiência no programa Timbuktoo

PNUD Angola

A sua experiência ilustrou como investimentos direccionados podem transformar o potencial da juventude em soluções com impacto económico e social real.
Valot sublinhou que a força de iniciativas como o timbuktoo não reside apenas no financiamento, mas também na criação de espaços criativos onde jovens africanos podem aprender uns com os outros: “Ninguém está melhor colocado para compreender os problemas africanos do que os próprios jovens africanos, e nada é mais valioso do que dar-lhes espaço para se ligarem, colaborarem e construírem soluções em conjunto.”

Em toda a sala, a mensagem foi consistente: os jovens de África estão prontos para contribuir para a transformação do continente. Garantir que tenham acesso à educação de qualidade, a ambientes seguros, a ecossistemas de inovação e a oportunidades de liderança será essencial para construir o futuro inclusivo e próspero que o continente ambiciona.

O diálogo abordou acesso à educação, as persistentes barreiras de género e os obstáculos adicionais enfrentados por jovens com deficiência.

PNUD Angola