1ª Conferência dos ODS encerra etapa nacional em Brasília com 75 propostas aprovadas

Conferência realizada por meio de parceria entre governo federal e PNUD reuniu mais de 700 delegados e delegadas de todo o país ao longo de três dias de programação.

3 de Julho de 2026

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Betina Barbosa, apresentou o Painel de Dados ODS, uma plataforma que reúne indicadores nacionais para acompanhar os avanços e desafios da Agenda 2030 em estados e municípios brasileiros.

Edgar Marra - CNODS

A 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) encerrou suas atividades nesta quinta-feira (2), em Brasília (DF), consolidando-se como o maior processo participativo já realizado no país em torno da Agenda 2030. Ao longo de três dias de programação, representantes da sociedade civil, governos, academia, setor privado e organismos internacionais debateram coletivamente propostas para fortalecer a implementação dos ODS em todo o território nacional.

Na manhã do último dia, a plenária final da Conferência aprovou, por consenso, as 75 propostas debatidas nos Grupos de Trabalho (GT) realizados no dia anterior. Entre elas, foram priorizadas 15 propostas, uma por cada GT. A votação, realizada com a participação de todos os delegados e delegadas presentes, consolidou o documento-base do evento, que deve orientar políticas públicas que fortaleçam a implementação da Agenda 2030 no Brasil.

As propostas contemplam temas como fortalecimento da democracia participativa, cultura de sustentabilidade, inclusão social, combate às desigualdades, diversidade, sustentabilidade ambiental, inovação tecnológica, governança participativa e aprimoramento das instâncias de participação social.

A secretária nacional de Participação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Izadora Brito, fez uma saudação de boas-vindas ao público e destacou o alcance do processo participativo da Conferência.

“Nos últimos anos, foram mais de 62 conferências nacionais realizadas, atravessadas por etapas estaduais, municipais e livres, mobilizando milhões de pessoas, porque política pública se faz com escuta qualificada, com participação social, com o pé no barro para transformar a vida das pessoas. A Conferência Nacional dos ODS é mais um desses processos, que vai trazer bons frutos para o Brasil e nos ajudar a nos direcionar neste momento histórico tão importante”, afirmou.

A mesa da plenária final contou com a presença de Elias Begnini, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Tatiana Dias, do Ministério da Igualdade Racial; Aldenora Gonzalez, do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS); Patrícia Carvalho, coordenadora da Conferência na Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS); Laudijane Domingos, da União Brasileira de Mulheres (UBM); Mavi Brilhante, ativista jovem; Sidnei Fernandes, representante da comunidade PCD; e Nina Orlow, coordenadora do Movimento Nacional ODS de São Paulo.

“Esse processo de Conferência Nacional que a gente encerra hoje, na verdade, inaugura muitas coisas. A partir desta Conferência, teremos propostas para entregar ao Estado brasileiro e à sociedade brasileira para concretizá-las em políticas públicas”, ressaltou o secretário-executivo da CNODS, Lavito Bacarissa, que conduziu a plenária.

Mobilização nacional

O processo da 1ª Conferência Nacional dos ODS mobilizou mais de 31 mil participantes em todo o país. Entre março a maio de 2026, foram realizadas 277 etapas livres e municipais e 20 conferências estaduais e do Distrito Federal, onde 727 delegadas e delegados foram eleitos para integrar a etapa nacional. Ao todo, foram apresentadas 1.029 propostas, posteriormente sistematizadas e debatidas até a aprovação do documento final.

Representando as organizações da sociedade civil, Nina Orlow, do Movimento Nacional ODS, reforçou que a Conferência é parte de um processo contínuo. “A Conferência, para nós, é um instrumento fundamental, importantíssimo, porém o nosso trabalho continua. Todas as pessoas aqui presentes realizaram etapas livres, municipais e estaduais. Agora nós continuamos na defesa de todas as causas relacionadas à Agenda 2030. Tivemos propostas maravilhosas nos territórios e agora precisamos dar a devolutiva nas nossas regiões”, afirmou.

Entre os participantes, a observadora Camila dos Santos Luiz, da iniciativa 5R's Bauru, também destacou o significado do encontro. “Essa realização aqui, olhando toda essa plateia e observando todas as coordenações, está sendo surreal. Estou aqui grata de coração, de corpo e alma, por fazer valer o ODS 18”, disse, se referindo ao ODS 18 - Igualdade Étnico-Racial, criado voluntariamente pelo Brasil.

Lançamentos e iniciativas de territorialização

Após a plenária final, a cerimônia de encerramento da Conferência encerrou oficialmente os trabalhos no período da tarde, e foi marcada pelo lançamento de novas iniciativas voltadas à implementação e ao monitoramento da Agenda 2030.

O coordenador executivo da CNODS, Thiago Gehre Galvão, apresentou o Relatório Nacional Voluntário (RNV) 2026, destacando o processo participativo de construção do documento e seus principais resultados. O RNV mostra como o país tem avançado na implementação dos ODS. O Brasil apresentará seu RNV junto a outros países em julho, no Fórum Político de Alto Nível, realizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

Já a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD, Betina Barbosa, apresentou o Painel de Dados ODS, uma plataforma que reúne indicadores nacionais para acompanhar os avanços e desafios da Agenda 2030 em estados e municípios brasileiros.

O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, Dirceu de Menezes, lançou a plataforma ODS Itaipu, desenvolvida para analisar a aderência dos programas e ações da empresa aos ODS.

O Coordenador-Geral do Departamento de Planejamento e Gestão Estratégica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Elias Begnini,  lançou as Olimpíadas Brasileiras de Sustentabilidade, iniciativa voltada à promoção da educação ambiental entre estudantes de todo o país.

Por fim, a cerimônia encerrou com o anúncio do Reconhecimento ODS Brasil, iniciativa desenvolvida pela CNODS, em parceria com o Selo Social, para reconhecer e dar visibilidade a boas práticas da sociedade civil relacionadas à Agenda 2030.

“O reconhecimento a todas as práticas é bastante importante para que a gente possa jogar luz sobre o que está acontecendo nos territórios brasileiros. Essa Conferência também é um momento histórico que faz parte desse reconhecimento da Agenda 2030”, afirmou o presidente do Instituto Selo Social, Fernando Assanti.

Durante a programação do dia anterior, na quarta-feira (1), a Caixa Econômica Federal também formalizou compromissos ligados à promoção dos ODS no país. O banco anunciou a Chamada 004/2026 - Igualdade Étnico-Racial nas Cidades, edital do Fundo Socioambiental (FSA) que destina até R$ 10 milhões a projetos urbanos de promoção da igualdade étnico-racial, em referência direta ao ODS 18.

Além disso, a Caixa assinou protocolo de intenções com a CNODS para apoiar a territorialização da Agenda 2030 e realizou ainda a entrega do Selo Diamante aos municípios de Pinhais (PR) e Francisco Beltrão (PR), em reconhecimento às boas práticas de desenvolvimento sustentável.

Conferência Nacional dos ODS

A 1ª Conferência Nacional dos ODS tem como tema “A Agenda 2030 no Brasil: Fortalecer a Democracia e Defender os Direitos Humanos para a construção coletiva de um novo modelo de desenvolvimento sustentável”.

A conferência foi realizada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), com correalização da Itaipu Binacional e apoio da Caixa, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do PNUD.

As propostas aprovadas durante o encontro ficarão disponíveis no portal oficial da Conferência, pelo link conferenciaods.org, e servirão de referência para a formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas voltadas ao cumprimento da Agenda 2030 no Brasil.