Projeto Fitoterápicos encerra ciclo com legado para bioeconomia e valorização da biodiversidade brasileira

Implementado pelo PNUD, iniciativa consolidou um importante legado para a bioeconomia brasileira e para a valorização da sociobiodiversidade.

2 de Julho de 2026

Ao longo de sua execução, o Projeto Fitoterápicos consolidou um importante legado para a bioeconomia brasileira e para a valorização da sociobiodiversidade.

PNUD

Mais de 1.800 participantes diretos e indiretos, quatro biomas contemplados, mais de 20 segmentos sociais envolvidos e um novo medicamento fitoterápico em desenvolvimento para o Sistema Único de Saúde (SUS). 

Esses foram alguns dos resultados apresentados durante a Oficina de Encerramento do Projeto Fitoterápicos, realizada na quarta-feira (1), em Brasília (DF). O encontro reuniu representantes do governo federal, povos indígenas e comunidades tradicionais, agricultores familiares e instituições de pesquisa para celebrar os avanços obtidos com a iniciativa.

Implementado pelo PNUD, com financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), coordenação técnica do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e interveniência da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), o projeto fortaleceu cadeias de valor ligadas às plantas medicinais e aos fitoterápicos, conectando biodiversidade, conhecimento tradicional, pesquisa, inovação, políticas públicas e desenvolvimento sustentável.

A mesa de abertura contou com a participação da Representante Residente Assistente de Programa do PNUD, Maristela Baioni; do diretor do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Henry Novion; da representante da Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE), Alda Alves; e da coordenadora da Câmara Setorial das Guardiãs e dos Guardiões da Biodiversidade do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), Cristiane Julião Pankararu.

Ao longo de sua execução, o Projeto Fitoterápicos consolidou um importante legado para a bioeconomia brasileira e para a valorização da sociobiodiversidade. A iniciativa beneficiou quase 2 mil pessoas, entre indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares, estabelecendo apoio a iniciativas comunitárias e promovendo a valorização dos conhecimentos tradicionais associados ao uso da biodiversidade.

Os resultados também incluem o fortalecimento de mais de 100 lideranças femininas em seus territórios, a participação de mais de 20 segmentos sociais, entre povos indígenas, quilombolas, rezadeiras, parteiras, benzedeiras, extrativistas e agricultores familiares, e o desenvolvimento de ações em quatro dos principais biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. 

As iniciativas foram executadas pela Humana Brasil, na Mata Atlântica; pela Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia (AGENDHA), na Caatinga; pela SOS Amazônia, na Amazônia; e pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), no Cerrado, fortalecendo organizações e comunidades em diferentes territórios do país.

Outro marco do projeto foi o fortalecimento de mais de 100 pessoas na agenda de acesso ao patrimônio genético e repartição justa de benefícios, ampliando a discussão sobre os direitos relacionados ao uso dos recursos da biodiversidade e do conhecimento tradicional associado.

Na área técnico-científica, a iniciativa apoiou a elaboração de 24 monografias sobre espécies nativas para inclusão na Farmacopeia Brasileira, ampliando a base regulatória para o uso seguro de plantas medicinais no país. O projeto também contribuiu para o desenvolvimento de um novo medicamento fitoterápico à base da planta quebra-pedra, em parceria com Farmanguinhos/Fiocruz, que poderá futuramente integrar a oferta de tratamentos disponibilizados pelo SUS.

Durante a oficina, foram apresentados os resultados desenvolvidos pelas organizações apoiadas nos biomas, além de iniciativas voltadas ao manejo sustentável de plantas medicinais, ao fortalecimento de empreendimentos comunitários, ao aperfeiçoamento do ambiente regulatório para produtos da sociobiodiversidade e à produção de materiais técnicos e orientadores que permanecem como referência para políticas públicas e para os diferentes atores do setor.

Em sua fala, a Representante Residente Assistente de Programa do PNUD, Maristela Baioni, destacou que o encerramento do projeto representa, sobretudo, a consolidação de um legado construído de forma coletiva.

"O encerramento de um projeto é sempre um momento de balanço, mas também de legado. Encerramos um ciclo de implementação, mas os aprendizados, os produtos, as relações institucionais e as capacidades construídas permanecem. É justamente a partir desse legado que políticas públicas, programas e novas parcerias podem continuar fortalecendo uma agenda que reconhece o valor da biodiversidade, respeita o conhecimento tradicional e promove uma bioeconomia mais justa, inclusiva e sustentável."

Além das apresentações dos resultados alcançados ao longo da execução do projeto, a programação promoveu momentos de diálogo entre representantes do governo, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e comunidades participantes, fortalecendo a troca de experiências e evidenciando a importância da cooperação técnica internacional para impulsionar soluções que conciliam conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável, inovação e inclusão produtiva.

O Projeto Fitoterápicos deixa como legado uma ampla rede de cooperação entre governos, instituições de pesquisa, organizações sociais e comunidades tradicionais, além de instrumentos técnicos, científicos e regulatórios que fortalecem a conservação da biodiversidade, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o desenvolvimento de uma bioeconomia mais inclusiva, inovadora e sustentável para o Brasil.

Como parte do legado da iniciativa, também foi lançada a Revista Fitoterápicos, publicação que reúne os principais resultados, experiências, metodologias e impactos alcançados ao longo da execução do Projeto Fitoterápicos. O material apresenta as ações desenvolvidas nos quatro biomas contemplados, destaca as histórias das organizações parceiras e das comunidades participantes, além de registrar os avanços na valorização da biodiversidade, do conhecimento tradicional associado e da bioeconomia brasileira.