Ministério do Ambiente e PNUD monitoram combate à caça furtiva e conflicto entre homem e vida selvagem

13 de Junho de 2023
Visita conjunta entre Ministério do Ambiente e PNUD ao Parque Nacional do Maiombe

Oficiais do Ministério do Ambiente e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), afectos ao Projecto de Combate ao Comércio Ilegal de Vida Selvagem  e o Conflicto Homem – Vida Selvagem em Angola, realizaram um exercício de monitoria e controle no Parque Nacional do Maiombe, localizado no município do Buco – Zau, na província de Cabinda, de 29 de Maio a 02 de Junho de 2023.

O trabalho de monitoria visa verificar o estado de implantação dos postos de fiscalização, o uso dos meios e equipamentos técnicos adquiridos pelo projecto, bem como fazer um levantamento das condições para a realização de uma reunião metodológica com os principais actores do projecto.

Projecto de Combate ao Comércio Ilegal de Vida Selvagem tem um âmbito nacional e está sob a égide do Ministério do Ambiente através do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação – INBAC com o financiamento do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF) e implementação do PNUD Angola. 

Durante o exercício, o Assistente Técnico do Projecto, Miguel Kinavwidi, referiu que a visita ao Parque Nacional do Maiombe baseia – se na necessidade de fazer uma monitoria das componentes que estão a ser implementadas pelo projecto, nomeadamente, as construções de duas infraestruturas que são os postos de fiscalização e avaliação dos recursos técnicos.

Os postos de fiscalização surgem como medidas de solução do corpo de fiscalização para reforçar o combate aos crimes contra a vida selvagem bem como melhorar as condições de trabalho do dos fiscais junto das áreas de conservação. 

“Uma vez concluídas as obras, e com estas duas estruturas a nível da província de Cabinda em funcionamento, o corpo de fiscalização terá maior capacidade para poder marcar presença nos locais onde os crimes ambientais têm maior incidência,” afirmou Miguel Kinavwidi, realçando que  “a insuficiência de meios por parte do corpo de fiscalização tem sido um desafio para fazer frente aos referidos crimes ambientais” razão pela qual o projecto pretende colmatar a carência dos meios técnicos e infraestruturas para permitir que os fiscais possam executar o seu trabalho de forma eficiente à luz dos padrões que se pretende. 

Oficiais do PNUD e MINAMB monitoram construção do posto de fiscalização em Cabinda

Conflicto homem – natureza

O Parque Nacional do Maiombe foi criado através do Decreto de Lei número 38/11 de 29 de Dezembro com objectivo de contribuir para a conservação e protecção dos ecossistemas locais, velando pelas espécies da flora e fauna selvagens mais visadas pelos caçadores furtivos e garimpeiros. 

O parque dispõe de 193 mil hectares, partindo da comuna do Inhuca, município do Buco Zau até a comuna do Miconge, município de Belize. Cerca de 18 fiscais, incluindo o administrador do parque realizam actividades operativas através de patrulhas para determinar rotas, pegadas e trilhos dos caçadores, bem como actividades pedagógicas que consistem na educação ambiental, ministrando palestras e encontros com as comunidades locais.

Fiscais do Parque Nacional do Maiombe asseguram combate a caça furtiva e preservação dos ecossistemas

Entretanto, a extrema pobreza da comunidade local, associado ao desemprego, sobretudo dos jovens, e a demanda por artefactos e productos da fauna e flora, criam um ambiente que estimula a práctica da caça furtiva, e o abate das árvores para a produção de carvão - constituindo assim motivo de preocupação por parte do Governo e dos parceiros, incluindo o PNUD Angola. 

Em resposta, o projecto pretende proporcionar actividades alternativas à comunidade local afim de explorar iniciativas sustentáveis tais como a práctica do mel e do carvão ecológico. Com ajuda de associações, o projecto pretende criar projectos pilotos que visam capacitar a comunidade para poderem substituir a caça furtiva pela práctica do mel e do carvão ecológico, bem como a partilha de conhecimento sobre as áreas de cultivo agrícola que não sejam os corredores dos elefantes, no sentido de mitigar o conflicto homem – vida selvagem e assegurar a conservação dos ecossistemas.