A plataforma latino-americana e caribenha de formação para mulheres na política, ATENEA — liderada regionalmente por PNUD e ONU Mulheres —, realiza neste mês os três primeiros cursos de 2021.
A ATENEA visa acelerar a participação política paritária das mulheres na América Latina e no Caribe, contribuindo para o exercício efetivo do direito delas à participação política em condições de igualdade e não discriminação.
Criados em parceria com a organização IDEA Internacional e a faculdade FLACSO Argentina, os cursos “Políticas públicas e agendas legislativas com enfoque de gênero”; “Gestão política e social em tempos de crise” e “Violência contra mulheres na política” ocorrerão a partir desta quinta-feira (4) na modalidade online. As inscrições se encerraram em fevereiro.
Os cursos duram dois meses e são certificados pela ATENEA e pela FLACSO Argentina. O público-alvo são redes de mulheres políticas e ativistas dos países latino-americanos e caribenhos.
As iniciativas de formação têm entre seus objetivos fortalecer e tornar as mulheres protagonistas na resposta e gestão da crise e pós-crise da COVID-19, aprofundando os conhecimentos sobre seus direitos políticos.
Os cursos também fornecerão ferramentas de inovação para novas formas de fazer política e difundirão conhecimentos para gestoras públicas com enfoque em direitos, gênero e interseccionalidade.
Foram priorizadas mulheres que estivessem em cargos de tomada de decisão, assim como mulheres indígenas, afrodescendentes, jovens, LGBTI e aquelas com deficiência. Nos próximos meses, serão divulgados os demais cursos a serem realizados neste ano.
Desde sua criação, em 2015, a ATENEA busca acelerar os progressos para a democracia paritária, monitorando os avanços e fazendo recomendações para corrigir, reverter ou prevenir situações identificadas de discriminação, desigualdade ou exclusão de mulheres na política.
Com esse objetivo, o mecanismo desenvolveu o Índice de Paridade Política (IPP), instrumento que permite medir o exercício real dos direitos políticos das mulheres nos países da região.
A ferramenta de informação, análise, comunicação e ação já foi implementada no nível nacional em 11 países (México, Guatemala, Panamá, Uruguai, Chile, Argentina, Peru, Honduras, Colômbia, Brasil e Bolívia) e no nível estadual em Córdoba (Argentina).
Estudo conduzido pelo projeto em 2020 mostrou que o Brasil está entre os países com os piores indicadores regionais no que diz respeito aos direitos políticos das mulheres e à paridade política entre homens e mulheres.
A análise de 40 indicadores atribuiu ao Brasil o IPP de 39,5, o que o localiza em 9º lugar entre os países latino-americanos já mapeados — Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Peru e Uruguai.
A partir das evidências resultantes da aplicação do Índice de Paridade Política, a ATENEA apresentou recomendações para produzir, incrementar e aperfeiçoar avanços em cada uma das dimensões abordadas.
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