Alto custo do serviço da dívida pública afeta desproporcionalmente as mulheres, colocando 55 milhões de empregos em risco

A forma como os países gerenciam o endividamento crescente está aumentando a desigualdade de renda, cortando serviços essenciais e elevando a mortalidade materna, aponta relatório global do PNUD.

12 de Junho de 2026

Estima-se que o aumento no serviço da dívida cause a perda de 55 milhões de empregos para as mulheres e uma queda de 17% na renda per capita feminina.

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Estima-se que o aumento no serviço da dívida cause a perda de 55 milhões de empregos para as mulheres e uma queda de 17% na renda per capita feminina, de acordo com uma análise do PNUD baseada em dados de 85 países em desenvolvimento. O novo relatório, “Who Pays the Price? Gender Inequality and Sovereign Debt” (Quem Paga o Preço? Desigualdade de Gênero e Dívida Pública), mostra que as mulheres são afetadas de forma desproporcional por meio da perda de empregos, declínio de renda e aumento das responsabilidades com cuidados não remunerados, enquanto a renda dos homens permanece praticamente inalterada, ampliando as desigualdades salariais e de gênero.

À medida que os governos desviam mais recursos para o pagamento de dívidas, os gastos públicos com saúde, assistência social e sistemas de cuidado são frequentemente reduzidos, limitando o acesso a serviços essenciais e as oportunidades de trabalho formal para todos, mas com impactos profundos na desigualdade de gênero.

"A dívida pública não é um problema matemático. É um problema humano. Essa análise lança uma nova luz sobre como os pagamentos esmagadores de dívidas deixam muitos governos mundo afora com espaço fiscal limitado e levam a cortes em serviços sociais vitais – com o fardo mais pesado recaindo sobre as mulheres. Quando os serviços de cuidados são cortados, por exemplo, a responsabilidade retorna aos lares – com as mulheres arcando com a maior parte dela, o que muitas vezes limita seu acesso a oportunidades econômicas. Em última análise, as estratégias de gestão da dívida devem garantir espaços para investimentos sociais e de cuidados que sustentem economias resilientes – e, por sua vez, o desenvolvimento humano", destaca o chefe global do PNUD, Alexander De Croo.

O relatório estima que o equivalente a 55 milhões de empregos de mulheres estão em risco no curto prazo e 92,5 milhões no longo prazo quando os países passam de uma carga moderada para uma carga elevada de pagamento de dívidas. O documento também prevê uma queda de 17% na renda per capita das mulheres em comparação com a renda masculina, que permanece praticamente inalterada, e um aumento de 32,5% na mortalidade materna, o equivalente a 67 mortes adicionais a cada 100.000 nascimentos. A expectativa de vida também diminui tanto para mulheres quanto para homens, refletindo a crescente pressão sobre os sistemas de saúde pública.

Esses impactos representam um retrocesso nos ganhos de desenvolvimento – uma tendência que pode se acelerar no contexto atual de escalada militar e crises relacionadas. À medida que os governos respondem à crescente insegurança, à volatilidade nos mercados de energia e às pressões inflacionárias, o espaço fiscal é ainda mais comprimido, muitas vezes à custa de investimentos sociais.

O relatório ressalta a importância de integrar uma análise de gênero em cada decisão de endividamento. “As estratégias de gestão da dívida importam para todas as pessoas, mas quando os gastos públicos são espremidos pelo pagamento da dívida, são as mulheres que perdem primeiro — seus empregos, seus serviços, sua segurança econômica. É por isso que devemos integrar avaliações de impacto baseadas em gênero na tomada de decisões, proteger investimentos críticos em infraestrutura social e de cuidados e adotar orçamento sensível a gênero para monitorar como o serviço da dívida afeta resultados econômicos de forma diferente para diferentes pessoas”, observa a diretora global de Igualdade de Gênero do PNUD, Raquel Lagunas.

O relatório também recomenda que governos e instituições financeiras globais priorizem o emprego, o desenvolvimento humano e a igualdade de gênero nas estratégias de sustentabilidade da dívida e que se afastem de medidas de austeridade que agravam a desigualdade.

“Who Pays the Price? Gender Inequality and Sovereign Debt” foi produzido pelo Programa EQUANOMICS, do PNUD, o qual apoia países a trabalharem a favor da igualdade de gênero por meio de reformas fiscais e tributárias; fortalecimento dos sistemas de cuidados; e instituições equipadas para entregar resultados de igualdade de gênero, inclusive por meio de reformas de políticas baseadas em dados.

 

Contato para a imprensa: Sangita Khadka, Especialista em Comunicação, Escritório de Apoio a Políticas e Programas do PNUD, NY | E-mail: sangita.khadka@undp.org

 

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