Região se destaca na melhoria do desenvolvimento humano no período e reduz distância socioeconômica do resto do país.
Nordeste lidera maiores avanços estaduais no IDHM entre 2012 e 2024
19 de Junho de 2026
O Piauí é um dos exemplos mais representativos da transformação observada no Nordeste. Em 2024, o estado alcançou IDHM de 0,764, resultado superior à média regional, que ficou em 0,762.
Das 21 regiões metropolitanas analisadas pelo Radar do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (Radar IDHM 2025), 17 já alcançaram a faixa de muito alto desenvolvimento humano. Os dados também revelam uma mudança importante no cenário nacional: os estados do Nordeste estão entre os que mais avançaram em desenvolvimento humano no período, reduzindo distâncias históricas em relação às regiões Sul e Sudeste.
Embora todas as regiões brasileiras tenham sido impactadas pela pandemia, todas apresentaram, em 2024, resultados superiores aos observados em 2019. O Nordeste passou de um IDHM de 0,729, em 2019, para 0,762 em 2024, consolidando uma das recuperações mais expressivas do país. O resultado evidencia a redução gradual das desigualdades regionais e aproxima a região dos patamares historicamente observados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que já se encontram na faixa de muito alto desenvolvimento humano.
“Os tradicionais estados que puxavam o IDH Brasil para baixo não puxam mais. E o dado mais relevante desse relatório, além da parte de desigualdade de gênero, raça e cor, sempre muito importante, é perceber como nesse território que a gente pode chamar de regiões metropolitanas, onde vivem mais de 45% da população brasileira, que há uma homogeneidade pela lente do IDH. Mas ainda há muitos desafios”, explica a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, Betina Ferraz.
Piauí -- Para o representante residente do PNUD no Brasil, Cláudio Providas, os resultados demonstram que o desenvolvimento humano pode avançar de forma acelerada quando acompanhado de políticas públicas consistentes. “O Brasil já provou que pode mudar, que pode crescer. Os estados do Nordeste, em grande maioria, cresceram de maneira mais rápida nesse período. As regiões metropolitanas se convergiram. A população negra avançou em um ritmo quase duas vezes maior que a população branca. Então, isso prova que a trajetória pode ser alterada quando há vontade política e um compromisso social”, destaca.
O Piauí aparece como um dos exemplos mais representativos da transformação observada no Nordeste. Em 2024, o estado alcançou IDHM de 0,764, resultado superior à média regional, que ficou em 0,762.
Os dados mostram ainda que o estado esteve entre aqueles que menos sentiram os impactos da pandemia de covid-19 sobre o desenvolvimento humano. Entre 2019 e 2021, o IDHM do Piauí recuou apenas 0,011 ponto, desempenho semelhante ao de estados como Sergipe e Alagoas, que registraram as menores quedas do país no período.
Na retomada pós-pandemia, o estado voltou a registrar crescimento consistente. Entre 2019 e 2024, o IDHM piauiense avançou 0,037 ponto, figurando entre os destaques nacionais da recuperação do desenvolvimento humano. O resultado coloca o estado ao lado de Alagoas (+0,053), Sergipe (+0,048), Pará (+0,041), Rio Grande do Norte (+0,040) e Paraíba (+0,039), todos apontados pelo relatório entre as unidades federativas com melhor desempenho no período.
A trajetória do Piauí acompanha o movimento mais amplo observado na Região Nordeste. Em 2019, o IDHM médio da região era de 0,729. Após os impactos da pandemia, o índice recuou para 0,713 em 2021, mas voltou a crescer e atingiu 0,762 em 2024, consolidando uma das recuperações mais expressivas do país.
Os resultados reforçam a avaliação apresentada pelo Radar IDHM de que os estados do Nordeste já não ocupam a mesma posição observada em décadas anteriores. O avanço consistente dos indicadores demonstra uma redução gradual das desigualdades regionais e aponta para um cenário de maior convergência no desenvolvimento humano brasileiro.