Educação, longevidade e retomada da renda impulsionam avanço do IDHM brasileiro

Radar IDHM mostra que melhora entre 2012 e 2024 foi sustentada sobretudo pela evolução educacional, pela recuperação da expectativa de vida após a pandemia e por ganhos graduais de renda.

1 de Junho de 2026
Photo of a young student at a desk in a classroom with green walls, writing.

Entre as três dimensões que compõem o IDHM — Educação, Longevidade e Renda —, foi a educação que apresentou a maior evolução no período, com crescimento médio anual de 1,35%. O IDHM Educação saiu de 0,679, em 2012, para 0,798, em 2024.

Foto: Rafael Martins / PNUD Brasil.

O Brasil alcançou, em 2024, sua melhor marca no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), chegando a 0,805 e ingressando, pela primeira vez, na faixa de muito alto desenvolvimento humano. O resultado, apresentado no Radar IDHM, elaborado pelo PNUD, Fundação João Pinheiro e IBGE, reflete uma trajetória de avanços acumulados entre 2012 e 2024, período em que o indicador nacional passou de 0,744 para 0,805.

A principal força desse crescimento veio da educação. Entre as três dimensões que compõem o IDHM — Educação, Longevidade e Renda —, foi ela que apresentou a maior evolução no período, com crescimento médio anual de 1,35%. O IDHM Educação saiu de 0,679, em 2012, para 0,798, em 2024, impulsionado pela melhora dos subíndices de frequência escolar e escolaridade. O avanço indica que o maior acesso ao conhecimento teve papel central na elevação do desenvolvimento humano brasileiro.

A longevidade também contribuiu para o resultado positivo. Mesmo sendo fortemente afetada pela pandemia de covid-19, especialmente em 2020 e 2021, a dimensão retomou trajetória ascendente a partir de 2022 e atingiu, em 2024, o maior valor da série: 0,860. A recuperação da esperança de vida ao nascer e a redução da mortalidade infantil no período recente ajudaram a recompor parte das perdas observadas nos anos mais críticos da crise sanitária.

Já a dimensão Renda teve comportamento mais instável, mas também terminou a série em alta. O IDHM Renda passou de 0,732, em 2012, para 0,760, em 2024, apesar das quedas registradas em momentos de crise econômica e durante a pandemia. A retomada a partir de 2022 foi decisiva para que essa dimensão voltasse a contribuir positivamente para o índice geral.

Outro fator relevante foi a redução de algumas distâncias históricas. A diferença entre o IDHM da população branca e da população negra caiu de 0,110, em 2012, para 0,077, em 2024. Embora as desigualdades persistam, o avanço mais acelerado da população negra no período ajudou a elevar o desempenho médio nacional.

O Radar IDHM mostra, portanto, que a melhora do indicador não decorre de um único fator, mas da combinação entre expansão educacional, recuperação dos indicadores de saúde, recomposição gradual da renda e avanços, ainda que insuficientes, na redução de desigualdades. O resultado de 2024 consolida uma trajetória positiva e reforça o papel das políticas públicas nas três dimensões do desenvolvimento humano.