Igualdade de género continua prioridade no PNUD Angola

19 de May de 2023

Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) reconhece a igualdade de género como um direito fundamental e uma base necessária para um mundo pacífico, próspero e sustentável.

A igualdade de género tem estado no centro do trabalho de desenvolvimento do PNUD há décadas. Desde 2012, vários escritórios nacionais do PNUD, incluindo Angola, embarcaram na certificação do selo de igualdade de género, para garantir a integração do género nos programas do PNUD e criar um ambiente de trabalho onde a igualdade de oportunidades e o acesso aos direitos não são afectados pelo género.

O Selo de Género é um programa de certificação inovador e rigoroso do PNUD que reconhece o desempenho satisfatório dos escritórios nacionais do PNUD na entrega de resultados transformadores para a igualdade de género, fazendo a diferença na criação de um mundo mais igualitário de género.

Segundo o Representante Residente do PNUD em Angola, Edo Stork, o Selo “é uma forma de implementarmos a igualdade de género em todos os aspectos do nosso programa de desenvolvimento e operações”. Ele também acrescenta que “é uma ferramenta que ajuda o PNUD a fornecer oportunidades iguais de empoderamento para mulheres e homens no nosso escritório”.

É assim que funciona: 

A certificação do Selo de Género é uma longa jornada que começa com uma autoavaliação online. Em Outubro de 2021, o Escritório Nacional fez uma autoavaliação e identificou possíveis lacunas de géneronos seus programas e no local de trabalho. Alguns dos tópicos avaliados nesta etapa incluem o número de mulheres e homens em cargos de liderança no escritório e como os funcionários masculinos e femininos se relacionam entre si.

Além da autoavaliação, o Selo de Género estabelece padrões mínimos de igualdade e fornece uma estrutura clara para orientar o Escritório na vinculação da dinâmica de género no local de trabalho com os resultados do desenvolvimento.

“Não é apenas um mero exercício feito no papel. É essencialmente um processo de transformação colectiva de mentes individuais e de nos unirmos como um escritório para reflectir sobre identidade de género, relações de poder e seu impacto no desenvolvimento”, diz o Representante Residente. 

O elemento central desse processo de transformação é o diálogo. Por meio da criação de espaços seguros, o diálogo permite que toda a equipe local se envolva numa conversa aberta sobre as dinâmicas de gánero no local de trabalho, sem medo ou tabus. A Representante Residente Adjunta, Soahangy Mamisoa Rangers, explica como o PNUD Angola criou um ambiente seguro para homens e mulheres discutirem questões relacionadas ao género no Escritório como parte da jornada do Selo de Género:

“Criamos espaços seguros dentro de nossas agendas semanais onde organizamos reuniões só para mulheres de um lado e só para homens do outro – uma iniciativa inédita aqui no escritório. Em seguida, organizamos uma reunião conjunta de homens e mulheres que nos permitiu reunir opiniões perspicazes sobre a dinâmica de género no nosso local de trabalho.”

Mais do que palavras, Execução 

O Selo de Género do PNUD oferece três níveis de certificação: ouro, prata e bronze. Os escritórios nacionais do PNUD são certificados de acordo com suas realizações em relação a um conjunto de indicadores relaccionados com a  igualdade de género nos seus programas, operações e na força de trabalho.

Mas garantir o Selo é mais do que obter um certificado e relatar números. Trata-se da eficiência, do impacto e da credibilidade do escritório local. O PNUD promove o Selo de Género como uma integração contínua dos esforços de integração de género em todos os aspectos da programação, no local de trabalho do PNUD e no processo de pensamento geral dos funcionários, conforme diz a Representante Residente Adjunta:

“O selo de género começa connosco. É uma questão de fazermos o que falamos”, diz Soahangy Mamisoa Rangers. “Fizemos uma autoavaliação em relação aos indicadores do PNUD sobre equidade de género e, com base nos resultados, elaboramos um plano de acção para nós mesmos sobre os próximos passos a seguir. É assim que podemos alcançar resultados de igualdade de género no escritório e sermos um exemplo para com os nossos parceiros”, disse.

Alcançar a qualidade de género é um passo na direcção certa para transformar o ambiente de trabalho do PNUD e abraçar ainda mais a igualdade e a inclusão. Actualmente, 42% do pessoal do escritório do PNUD em Angola são mulheres. No entanto, as mulheres ainda estão sub-representadas nos níveis mais altos de tomada de decisão.

A Representante Residente acrescenta que “ouvir e compreender os desafios das colegas mulheres no escritório é fundamental como primeiro passo para melhorar ainda mais a igualdade de género. Trata-se de estarmos abertos e mudarmos nossas próprias ideias e, juntos, descobrirmos melhores maneiras de acomodar as mulheres no nosso escritório para capacitá-las de acordo”, diz Edo Stork.

Além do Selo de Género, uma das formas pelas quais o PNUD mede sua contribuição para a igualdade de género é por meio do código da ferramenta Marcador do Género, que permite ao PNUD rastrear sua alocação financeira e gastos nos seus programas de desenvolvimento.

Igualdade de gênero no centro das prioridades 

No dia 31 de Março de 2023, o Escritório Nacional do PNUD em Angola submeteu os resultados de sua avaliação final à Equipe de Selo de Género da Sede, para o processo de revisão e avaliação. A Equipe do Selo de Género fornecerá uma certificação (ouro, prata ou bronze) de acordo com as melhores práticas de igualdade de género que serão identificadas no escritório do PNUD Angola.

Para além da obtenção do Selo, a igualdade de género continuará a ser uma prioridade estratégica no trabalho de desenvolvimento do PNUD Angola. Alinhado com a Estratégia de Igualdade de Género do PNUD 2022 – 2025, o Grupo de Trabalho do Género continuará a actuar como catalisador para a integração efetiva do género nos programas e defensor de uma cultura organizacional de igualdade,de  dignidade e de respeito

O Escritório vai continuar a realizar sessões internas sobre igualdade de género; diversidade sexual e de género e os direitos das pessoas LGBTI+. Iremos continuar a dialogar sobre temas como as masculinidades; o feminismo e as normas de género; a ética no trabalho; a liderança e a comunicação sensíveil ao género, para aumentar a consciencialização entre os funcionários e, finalmente, garantir um ambiente de trabalho mais igualitário e inclusivo.

“Integrar a igualdade de género e o empoderamento das mulheres no nosso trabalho de desenvolvimento tem a ver com o ODS 5, que é uma meta de desenvolvimento crucial acordada pelas Nações Unidas”, disse Edo Stork, Representante Residente. “Independentemente de quem você é ou o género e a identidade sexual que você possa ter, todos têm os mesmos direitos e o mesmo acesso às oportunidades que qualquer outra pessoa. É isso que as Nações Unidas defendem, assim como todos os países do mundo que endossaram a Agenda 2030”, disse ele.

O compromisso do PNUD com a igualdade de género faz parte dos esforços da ONU para expandir as escolhas das pessoas, criar um mundo justo e sustentável e alcançar a visão da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, sem deixar ninguém para trás.

Fim.