Literacia Financeira Reforça Capacidades das Cooperativas para Transformar os Sistemas Alimentares na Guiné-Bissau
18 de Maio de 2026
Participante durante a sessão de formação
Decorre atualmente na Guiné-Bissau um ciclo de formação de formadores em literacia financeira para a transformação dos sistemas alimentares, com o objetivo de reforçar as capacidades dos membros de cooperativas agrícolas e promover uma gestão financeira mais sustentável e inclusiva ao longo das cadeias de valor do setor agroalimentar.
A iniciativa insere-se no âmbito do Programa de Transformação dos Sistemas Alimentares e Financiamento Sustentável, implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em conjunto com o Programa Alimentar Mundial (PAM), com o apoio do Fundo Conjunto para os ODS. O programa visa fortalecer os sistemas alimentares, promover a inclusão financeira e mobilizar soluções de financiamento inovadoras para um crescimento económico mais inclusivo e resiliente.
A primeira ação de formação decorreu em Bula, entre os dias 7 e 10 de maio, reunindo representantes de cooperativas das regiões de Cacheu, Biombo e do Sector Autónomo de Bissau (SAB). Durante quatro dias, os participantes aprofundaram conhecimentos em quatro módulos desenvolvidos pela A-SIMÉTRICA Inovação & Impacto:
• Gestão Financeira Pessoal e Familiar – “Ami ku nha dinheru”
• Poupança e Planeamento para a Resiliência – “Racada pa realiza sunhus”
• Empreendedorismo e Gestão Financeira de Cooperativas Agroalimentares – “Kal ki sigridu pa nogos tarda?”
• Acesso ao Crédito e Serviços Financeiros – “Nô djunta mon”
A segunda sessão teve lugar em Gabú, entre 14 e 17 de maio, envolvendo cooperativas das regiões de Gabú e Bafatá. Os participantes receberam formação com a responsabilidade de replicar os conhecimentos adquiridos junto das suas cooperativas, através de sessões de disseminação comunitária.
A iniciativa procura transformar o conhecimento financeiro numa ferramenta de liderança e empoderamento económico, contribuindo simultaneamente para a resiliência climática das comunidades rurais e para a autonomia económica das mulheres.
Em representação dos participantes, Fatumata Binta Djaló, da Cooperativa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável do setor de Bafatá, destacou o impacto prático da formação no quotidiano das famílias e das cooperativas.
“Os conteúdos ajudam-nos a compreender melhor a origem do dinheiro e a importância de registar as despesas para perceber para onde vai o rendimento familiar”, afirmou.
Por sua vez, Fatu Faty, representante da Cooperativa das Mulheres Camponesas do setor de Gabú, sublinhou a importância do diálogo familiar na gestão dos recursos financeiros.
“Logo no primeiro dia da formação consegui poupar 500 FCFA apenas através da discussão em família sobre as despesas do pequeno-almoço. É importante que os casais partilhem objetivos financeiros comuns e envolvam também os filhos nesse processo”, referiu.
Ao reforçar competências financeiras e promover práticas de gestão mais sustentáveis, esta iniciativa contribui para sistemas alimentares mais resilientes, inclusivos e orientados para o desenvolvimento sustentável na Guiné-Bissau.