“Inspirar para o Futuro” – Crianças e escolas a proteger as florestas de Angola

6 de Setembro de 2023
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Ângela Chindossi adora ensinar e adora a natureza, então arranjou a forma perfeita de combinar as duas paixões: dá aulas de protecção ambiental a crianças e professores de escolas públicas, nas comunas da Chipipa e do Mbave, no Huambo. Em dois anos, “já ensinei 1120 crianças e 57 professores”, conta a professora orgulhosa. “Gosto muito”.

Aos 28 anos, Ângela colabora com o projecto Promoção do carvão vegetal sustentável em Angola através de uma Abordagem da Cadeia de Valor, implementado pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, com apoio da ADPP, Universidade José Eduardo dos Santos, Universidade de Córdova, e financiamento do PNUD e GEF. Ela trabalha com a vertente da educação ambiental do projecto, que visa ensinar às comunidades e às gerações futuras como preservar este bem tão precioso: as florestas.

Sem saber, ao ensinar crianças, dos 7 aos 16 anos, e professores como cuidar das árvores e das florestas, promovendo a sustentabilidade ambiental, a professora Ângela acaba por materializar o lema do Dia Internacional das Florestas para 2022: “Inspirar para o Futuro - O Papel das Florestas na Garantia de Produção e Consumo Sustentáveis”.

Com o apoio dela, directo ou indirecto, já foram produzidas 6300 árvores em cerca de 20 escolas. As árvores são plantadas no interior das escolas e nos espaços ao redor por professores e alunos, e oferecidas às comunidades, para que elas plantem e cuidem delas. 

Ao longo do ano, Ângela vai organizando actividades divertidas para entreter, ensinar e cativar as crianças, como concursos de desenho e caminhadas pelas florestas ao redor das comunidades. “Eles gostam bastante e muitos sabem desenhar muito bem”, conta a professora. Durante as caminhadas “nas florestas nativas, eu explico a importância da plantação de árvores e eles vão citando os nomes das diferentes espécies florestais que encontramos nas florestas”.

Entre as brincadeiras educativas de que os mais novos mais gostam estão as “Olimpíadas do Ambiente”, que a professora implementou para chamar mais crianças para as actividades. Ela conta que são desafios e concurso, e que da última vez participaram 100 crianças. 22 delas ganharam como prémios cadernos, lápis, esferográficas, mochilas e outros materiais escolares.

“Eu preciso trabalhar, eu preciso produzir. A plantação é o caminho para seguir”, cantam alguns dos alunos da professora Ângela, na Chipipa. 

Para poder falar sobre a protecção das florestas e sustentabilidade ambiental com propriedade, Ângela, que já era professora de formação, participou no programa de capacitação para a área ambiental da ADPP, parceira do projecto.

O projecto de promoção de carvão vegetal sustentável visa ensinar as comunidades a produzirem carvão de uma forma amiga do ambiente, cortando menos árvores, usando fornos melhorados, que emitem menos gases poluentes, e ensinando as populações a produzirem viveiros, para plantar novas árvores nas zonas mais lesadas. Evita, assim, a desflorestação, promove uma gestão sustentável dos recursos naturais e contribui na redução das emissões de CO2.

Há ainda outra vertente do projecto que consiste em ajudar as comunidades a criarem meios alternativos de rendimento, como a produção e venda de mel natural, e a transformação de frutas em doces, marmeladas e sumos, igualmente para venda. Assim, ameniza-se a necessidade da produção de carvão e, consequentemente, a pressão sobre as florestas, contribuindo de igual modo na redução da pobreza.

O programa de educação ambiental do projecto prevê também a realização de aulas sobre o meio ambiente nas comunidades e aldeias, por isso a professora Ângela é bem conhecida na zona da Chipipa e Mbave.

Ela está feliz com o trabalho que faz, pois tanto as crianças como os professores partilham os ensinamentos com pessoas próximas, espalhando a mensagem de preservação da natureza. “Os alunos contam aos pais e tios” e os outros “professores transmitem aos seus alunos”, e assim sucessivamente.

Gregório Estanislau, de 33 anos, é um dos alunos de Ângela que aprendeu bem e a lição e agora ensina outros. Professor da escola n.º 78 da Chipipa, ele ajudou os seus alunos, dos 8 aos 12 anos, a plantarem 14 árvores na escola. E “quem cuida das árvores são os alunos”, conta Gregório. restas e sustentabilidade ambiental com propriedade, Ângela, que já era professora de formação, participou no programa de capacitação para a área ambiental da ADPP, parceira do projecto.

O projecto de promoção de carvão vegetal sustentável visa ensinar as comunidades a produzirem carvão de uma forma amiga do ambiente, cortando menos árvores, usando fornos melhorados, que emitem menos gases poluentes, e ensinando as populações a produzirem viveiros, para plantar novas árvores nas zonas mais lesadas. Evita, assim, a desflorestação, promove uma gestão sustentável dos recursos naturais e contribui na redução das emissões de CO2.

Gregório Estanislau, Professor da escola n.º 78 da Chipipa.

Gregório Estanislau, Professor da escola n.º 78 da Chipipa.

Na formação dada pela Ângela, “aprendemos como cuidar do meio ambiente. Aprendemos a criar viveiros de árvores nativas e de fruteiras disso já plantámos algumas plantas ao longo da escola e a tendência é de continuarmos”, diz o professor. “Plantámos não só na nossa escola, mas também participámos em plantios em outras escolas próximas da nossa”. O próximo plano do professor Gregório é “incentivar os alunos a terem hortas escolares”.

Aos alunos e às suas famílias, principalmente as famílias que vivem da venda de carvão, Gregório vai repetindo a mensagem da sustentabilidade: “Algumas árvores levam 7 anos para crescer e 2 minutos para destruir”. 

Educar para proteger as florestas do Huambo