Ao todo, receberam apoio 40 projetos locais em diversos territórios da Amazônia Legal, envolvendo povos indígenas e comunidades tradicionais, e organizações da sociedade civil.
Gente da floresta: resultados de iniciativas comunitárias apoiadas pelo Floresta+ Amazônia
1 de Outubro de 2026
Inauguração Museu Indígena Tchirugüne, na comunidade indígena Vila Betânia Mecürane, no Alto Solimões (AM).
Vigilância e monitoramento de 667,3 mil hectares de floresta, com 14 bases de vigilância territorial geridas, sendo 5 delas novas, soltura de mais de 700 mil filhotes de quelônios, 31 cadeias de valor fortalecidas e 32 negócios da bioeconomia valorizados e mais de 4 mil pessoas com capacidades aprimoradas. Esses são alguns dos resultados das 40 iniciativas apoiadas no primeiro ciclo da Modalidade Comunidades do Projeto Floresta+ Amazônia, desenvolvidas por povos indígenas e comunidades tradicionais em diferentes territórios da Amazônia Legal entre 2024 e 2026.
Os projetos foram executados em parceria com organizações da sociedade civil e instituições representativas de povos indígenas e comunidades tradicionais, e elaborados de forma participativa, a partir das demandas e características de cada comunidade beneficiária e território. As ações beneficiam povos indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos e pescadores artesanais em oito estados.
Os números da Modalidade Comunidades:
● 40 projetos apoiados no primeiro ciclo e 60 territórios coletivos mobilizados;
● 667,3 mil hectares de floresta sob vigilância e monitoramento;
● Mais de 700 mil filhotes de quelônios protegidos e soltos;
● 19 tabuleiros de nidificação protegidos e monitorados;
● 94,58 hectares em recuperação ativa e 30.741 mudas nativas plantadas;
● 58,85 hectares de sistemas agroflorestais e quintais agroecológicos e mais de 13.000 mudas produzidas para enriquecimento dos sistemas;
● 197 famílias apoiadas em atividades produtivas;
● Quase 50 embarcações adquiridas para associações de base e comunidades;
● 2.642 pessoas capacitadas em cadeias produtivas e 1.726 em conservação e monitoramento ambiental;
● 26 projetos com liderança ou coordenação feminina.
A proteção dos territórios concentra alguns dos resultados mais expressivos. Além da vigilância e do monitoramento de 667,3 mil hectares de floresta, os projetos ampliaram a capacidade das comunidades de acompanhar seus territórios com a estruturação de bases de vigilância, a aquisição de drones, GPS, sistemas de energia solar e equipamentos de comunicação.
As iniciativas também apoiaram a formação de brigadas, a capacitação de agentes ambientais indígenas e a realização de expedições e atividades de monitoramento e prevenção de incêndios.
Na conservação da biodiversidade, os projetos garantiram a proteção e a soltura de mais de 700 mil filhotes de quelônios, além do monitoramento de 19 tabuleiros de nidificação, como são chamadas as áreas de praia onde as tartarugas e tracajás depositam seus ovos na região do Médio Juruá.
As iniciativas ainda fortaleceram a gestão territorial de longo prazo. Para além de diversos Instrumentos de Gestão Territorial e Ambiental fortalecidos, também receberam apoio criações de Planos de Gestão Territorial e Ambiental, como o Plano de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola do Quilombo Cariongo, no Maranhão.
Esses instrumentos orientam o uso, a proteção e o manejo dos recursos naturais a partir das decisões das próprias comunidades, para além de auxiliarem na cobrança ao Poder Público pelos direitos dos PCTs.
Os projetos registraram também 94,58 hectares de florestas nativas e capoeiras em processo ativo de recuperação, por meio de plantios e sistemas agroflorestais. Ao todo, foram produzidas e plantadas 30.741 mudas de espécies florestais e frutíferas nativas.
A formação técnica acompanhou esse trabalho: 1.726 pessoas foram capacitadas em conservação de recursos pesqueiros e florestais e em monitoramento ambiental, e 84 indígenas receberam formação em coleta de sementes nativas e silvicultura.
Economia da sociobiodiversidade – O fortalecimento das economias locais é outro eixo central. As iniciativas apoiaram 197 famílias e contribuíram para a implantação de 58,85 hectares de sistemas agroflorestais e quintais agroecológicos. Também foram estruturados viveiros, casas de farinha, cozinhas comunitárias, unidades de beneficiamento e outros espaços produtivos.
As ações contemplaram diversas cadeias da sociobiodiversidade, como pirarucu, castanha-da-Amazônia, açaí, mandioca, pescado, meliponicultura, artesanato, biojoias, biocosméticos, madeira manejada e turismo de base comunitária. Ao todo, 2.642 pessoas foram capacitadas em boas práticas produtivas, unindo geração de renda e conservação ambiental.
A Associações de Moradores da Reserva Extrativista Tapajós Arapiuns – TAPAJOARA, do Pará, foi uma das organizações beneficiadas pela Modalidade Comunidades. “As nossas comunidades já trabalhavam com turismo de base comunitária, mas ainda era precário. O projeto veio complementar e melhorar o trabalho. Por meio do Floresta+, conseguimos construir nossos redários, nossas cozinhas artesanais e os galpões para o artesanato, então hoje podemos dizer que oferecemos o que há de melhor para o turista”, falou orgulhosa a presidenta da associação, Maria José Caetano.
Mulheres na liderança – A participação das mulheres marca o primeiro ciclo da Modalidade Comunidades. Dos 40 projetos apoiados, 26, ou 65% do total, tiveram liderança ou coordenação feminina. Além disso, 19 iniciativas desenvolveram ações específicas voltadas a gênero, empoderamento e inclusão das mulheres em espaços de decisão e cargos de liderança.
As experiências construídas nos territórios dialogam com a implementação de políticas públicas como a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ). A Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) é a principal parceira e interlocutora do Floresta+ no ministério, no âmbito da Modalidade Comunidades.
"O Projeto Floresta+ Amazônia mostra que, quando os recursos chegam diretamente aos territórios e as comunidades decidem como usá-los, os resultados aparecem: floresta protegida, economia fortalecida e mais autonomia para os povos. Essas experiências são fundamentais para as políticas públicas, porque mostram o que funciona na ponta e ajudam a orientar a implementação da PNPCT, da PNGATI e da PNGTAQ. Na floresta tem gente, e são essas pessoas que mantêm a floresta em pé", destacou a secretária da SNPCT, Edel Moraes.
“A missão do PNUD é fortalecer o desenvolvimento humano e sustentável nas três dimensões, econômica, social e ambiental, e esses projetos são amostras de uma boa execução em áreas como a recuperação ambiental, a conservação da floresta, o empoderamento e fortalecimento de mulheres na tomada de decisões, vigilância nos territórios, entre outras”, ressaltou a coordenadora do Floresta+ Amazônia, Regina Cavini.
As iniciativas mostram diferentes formas, construídas nos próprios territórios, de conciliar conservação da floresta, proteção territorial, valorização dos conhecimentos tradicionais e fortalecimento das economias comunitárias. A sistematização desses resultados, aprendizados e desafios contribui para orientar novas ações de apoio aos territórios coletivos da Amazônia.
Sobre o Floresta+ Amazônia – O Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), executada em parceria com o PNUD e financiada pelo Fundo Verde para o Clima (GCF). Por meio da Modalidade Comunidades, o projeto apoia iniciativas construídas de forma participativa por povos indígenas e comunidades tradicionais para fortalecer a gestão ambiental e territorial de territórios coletivos. Saiba mais: www.florestamaisamazonia.org.br