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O lema deste ano do Dia Mundial da AIDS, “Solidariedade Global, Responsabilidade Compartilhada”, nos lembra do impacto da pandemia em nossas vidas e como devemos nos unir para vencer.
Tanto o HIV quanto a COVID-19 expõem as desigualdades e as exacerbam. Eles nos mostram mais uma vez que uma boa saúde envolve muito mais do que uma ida ao consultório médico; como a saúde se relaciona com a igualdade, os direitos humanos e a proteção social.
Assim como o fardo mais desproporcional do HIV recai sobre os mais marginalizados e vulneráveis, em praticamente todos os países, a COVID-19 afetou as comunidades mais pobres e as pessoas mais vulneráveis em taxas muito mais altas do que aqueles que podem sustentar uma quarentena. Pessoas vivendo com HIV, mulheres, meninas e meninos, populações-chave, migrantes e refugiados estão entre aqueles com mais probabilidade de sofrer consequências devastadoras.
Apesar dos progressos notáveis na resposta à AIDS, antes da pandemia de COVID-19, o mundo já não estava no caminho para cumprir as metas globais de AIDS acordadas pelos Estados Membros em 2016. A COVID-19 ameaça desfazer os avanços tão arduamente conquistados. O relatório do UNAIDS de 2020 para o Dia Mundial da AIDS mostra que a disseminação do tratamento diminuiu, e estima-se que as interrupções do tratamento associadas à COVID-19 podem causar entre 123.000 e 293.000 novas infecções e entre 69.000 e 148.000 mortes relacionadas à AIDS. Precisamos agir com urgência para proteger o que já foi alcançado e redobrar nossos esforços para erradicar a AIDS como uma ameaça à saúde pública até 2030.
Para isso, precisamos determinar as conexões entre as respostas ao HIV e à COVID-19. O movimento de luta contra a AIDS, liderado por pessoas vivendo com HIV e seus parceiros e parceiras, liderou uma das respostas de saúde pública global mais extraordinárias da história. Aprendemos com o HIV a importância do acesso equitativo, da inovação e da necessidade de priorizar as pessoas que ficaram para trás e alcançar aquelas que estão ainda mais para trás. Devemos aplicar esse aprendizado em nossos esforços para combater a COVID-19. Da mesma forma, devemos capitalizar as inovações decorrentes da crise de COVID-19 e garantir a resiliência das respostas ao HIV a futuras pandemias e ameaças à saúde.
O PNUD trabalha com seus parceiros para apoiar os países na garantia à continuidade dos serviços relacionados ao HIV durante a pandemia de COVID-19 por meio do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), de sua aliança com o Fundo Global e como chefe da direção técnica do quadro das Nações Unidas para a resposta socioeconômica imediata à COVID-19. O PNUD apoiou 140 países para garantir suprimentos que garantam a continuidade dos serviços de saúde e forneceu apoio especial para a continuidade e adaptação dos serviços relacionados ao HIV em 55 países, incluindo o acesso contínuo a tais serviços.
O enfrentamento das duas pandemias apresenta-nos uma oportunidade única. Como vimos neste ano, em face de uma crise, os governos, o mundo científico e a comunidade são capazes de fazer as coisas mais extraordinárias. Para reconstruir melhor a partir da COVID-19, precisamos de uma abordagem de sistemas orientada pela equidade e sustentabilidade. Devemos aproveitar o momento para transformar a crise em um marco para a cobertura universal da saúde. Precisamos expandir os serviços essenciais e aqueles associados ao HIV, promovendo a igualdade de gênero e reformando as leis e políticas que aumentam o risco e o estigma, espalham infecções e minam o empoderamento.
Neste Dia Mundial da AIDS, o PNUD convida a repensar o desenvolvimento humano a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ter como bússola a promessa de não deixar ninguém para trás. Em um momento em que a COVID-19 domina todos os discursos, devemos redobrar nossos esforços para erradicar a AIDS como ameaça à saúde até 2030, uma meta dos ODS que ainda podemos alcançar com vontade política renovada, solidariedade global e responsabilidade compartilhada.
