Brasil melhora em mais de 70% dos indicadores de desigualdade

Segundo o Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, que tem apoio do PNUD, o país avançou em segurança alimentar, mercado de trabalho, renda e desenvolvimento humano, mas restam desafios.

14 de Agosto de 2026
Photo: Customer in purple buys leafy greens from a vendor at an outdoor market.

O relatório aponta redução nacional na insegurança alimentar moderada ou grave, que passou de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A desnutrição infantil entre crianças de até 5 anos também caiu, de 3,6% em 2024 para 3,4% em 2025. Já entre idosos (60 anos ou mais), o indicador recuou de 12,4% em 2024 para 11,9% em 2025.

Foto: Paula Mariane

O Brasil melhorou em 71% dos indicadores de desigualdade monitorados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades. Essa é uma das notícias que traz o Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades de 2026, divulgado nesta semana pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades. Segundo o estudo, o Brasil avançou em 2025, em relação a 2024, em áreas como segurança alimentar, mercado de trabalho, renda e desenvolvimento humano.

Produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no âmbito do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades em parceria com o Ministério das Mulheres e apoio do PNUD, o documento mantém o olhar transversal sobre gênero e raça/cor, atualiza os indicadores definidos anteriormente e incorpora novos indicadores, oferecendo um panorama abrangente das várias dimensões da sociedade brasileira.

O relatório aponta redução nacional na insegurança alimentar moderada ou grave, que passou de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024. A desnutrição infantil entre crianças de até 5 anos também caiu, de 3,6% em 2024 para 3,4% em 2025. Já entre idosos (60 anos ou mais), o indicador recuou de 12,4% em 2024 para 11,9% em 2025.

No mercado de trabalho, a taxa de desocupação caiu para 5,6% em 2025, o que representa uma redução de 1,0 ponto percentual em relação a 2024, quando era de 6,6%. O rendimento médio real cresceu 5,3% no mesmo período.

Além disso, houve redução na proporção de pessoas em situação de pobreza, especialmente aquelas que vivem em domicílios com renda per capita de até ¼ e até ½ salário mínimo. Essa parcela da população em extrema vulnerabilidade recuou de 8,2% em 2024 para 7,9% em 2025. De acordo com o relatório, a diminuição é resultado do aumento do rendimento e do emprego no país.

Em números absolutos, o estudo diz que o contingente de pessoas vivendo com até meio salário mínimo caiu de 53,8 milhões para 52,4 milhões de um ano para o outro, o que significa 1,4 milhão de pessoas a menos nessa condição de vulnerabilidade.

Concentração de renda -- Persistem, no entanto, alguns desafios: a concentração da renda voltou a crescer, a desigualdade salarial entre homens e mulheres aumentou, a tributação da renda continua regressiva nas altas rendas, a população negra permanece em situação desfavorável na maior parte dos indicadores, e as regiões Norte e Nordeste continuam concentrando os piores indicadores sociais.

“A imagem do progresso não pode ser dissociada da imagem da desigualdade. Os avanços foram significativos, mas distribuídos de forma desigual entre regiões, raças e entre as mulheres e os homens. O Brasil permanece preso em uma armadilha de baixo dinamismo e padrões persistentes de exclusão, um quadro que se repete na maioria dos países da América Latina e do Caribe”, afirma a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD no Brasil, Betina Barbosa, que assina o prefácio da publicação e o capítulo “IDHM Brasil: uma jornada pela agenda do desenvolvimento humano”.

O Observatório Brasileiro das Desigualdades é uma iniciativa voltada ao monitoramento das desigualdades no Brasil por meio de um conjunto de indicadores selecionados que permitem acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Seu objetivo é produzir evidências que subsidiem o debate público e a formulação, monitoramento e o aperfeiçoamento das políticas públicas. 

As áreas abordadas incluem educação, saúde, renda, segurança alimentar, segurança pública, representação política, clima e meio ambiente, acesso a serviços básicos e desigualdades urbanas. As desigualdades de gênero e raça/ cor e entre as regiões brasileiras constituem eixos transversais de análise, permitindo compreender como essas dimensões se combinam na produção e reprodução das desigualdades sociais.

O relatório completo está disponível aqui.