Startups angolanas apresentam-se a investidores japoneses em Tóquio com o programa “Meet the Tôshikas”
5 de Setembro de 2024
O workshop do #MeettheTôshikas, realizou-se em Abril em Luanda
O ecossistema de startups em Angola está a ganhar forma, impulsionado por novas iniciativas que visam apoiar empreendedores e promover a diversificação económica. À medida que o país procura reduzir a sua dependência do petróleo e do gás, programas voltados para inovação e investimento tornam-se fundamentais para estimular novas áreas de crescimento sustentável.
Com financiamento do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI), o Programa Meet the Tôshikas, implementado pelo PNUD através do Sustainable Finance Hub, foi criado para ajudar startups africanas a aceder a investimento, fortalecer as suas capacidades e potenciar o seu crescimento. A iniciativa foca em aproximar empreendedores africanos e investidores japoneses, promovendo um intercâmbio directo de ideias, experiências e oportunidades de colaboração.
Em Abril de 2024, o PNUD Angola realizou o workshop #MeettheTôshikas, durante o qual 10 startups pré-seleccionadas, das 59 que se candidataram no país, apresentaram os seus projectos ao público e a especialistas do sector.
Após um processo que envolveu formações, sessões de mentoria e bootcamps regionais, duas startups angolanas foram seleccionadas para a fase final: Anda e Mamboo.ao. No total, seis startups, duas por país (Angola, África do Sul e Zâmbia) foram escolhidas para participar num programa intensivo de preparação para investimento e receber um subsídio catalítico de 20.000 dólares.
Em entrevista ao PNUD, Sérgio Tati, co-fundador e CEO da Anda, explicou que o programa representou uma oportunidade ímpar de aprendizagem e visibilidade:
Colaborar com instituições como a Double Feather e o PNUD ajuda-nos a criar uma base sólida para o futuro. O programa ensinou-nos o que os investidores procuram, desde os indicadores financeiros até à estratégia de crescimento, e proporcionou contacto directo com investidores interessados em África. Esse tipo de conhecimento vale tanto quanto o investimento financeiro.
A Anda Angola dedica-se a resolver desafios de mobilidade urbana, oferecendo apoio completo a motoristas de mototáxi: financiamento e manutenção das motas, formação, GPS, seguros e gestão administrativa. A startup procura profissionalizar um sector que sustenta milhares de famílias e representa uma importante fonte de rendimento para jovens em todo o país.
Por sua vez, a Mamboo.ao, co-fundada por Philippe Oliveira e Kae Carvalho, tem vindo a transformar o comércio digital e a inclusão financeira desde 2020. Através da sua super-aplicação, combina marketplace, serviços financeiros e entregas ultrarrápidas, contando com mais de 100 colaboradores e 250 motoristas em Angola.
O nosso maior objectivo é encontrar parceiros que nos ajudem a acelerar o crescimento, trazer experiência e investimento. Com mais recursos, poderemos desenvolver novas soluções, reforçar a equipa tecnológica e consolidar a nossa presença no mercado. Quando o público reconhece o nosso trabalho, ganha-se confiança, e é isso que queremos expandir.Philippe Oliveira, COO Mamboo
Segundo os fundadores, a Mamboo alinha-se directamente com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nomeadamente o ODS 8, Trabalho Digno e Crescimento Económico e o ODS 9, Indústria, Inovação e Infra-estrutura, ao criar oportunidades para pequenos empreendedores e promover o uso de tecnologia no sector financeiro e logístico.
O evento final em Tóquio, realizado a 30 de Agosto de 2024, reuniu as seis startups seleccionadas de Angola, África do Sul e Zâmbia com investidores japoneses interessados em conhecer de perto o potencial dos ecossistemas africanos, promovendo o intercâmbio de experiências e potenciais oportunidades de colaboração.
Para Angola, a participação da Anda e da Mamboo.ao representa um sinal encorajador de que a inovação nacional está a ganhar forma e visibilidade internacional. Programas como o Meet the Tôshikas ajudam a abrir caminhos, aproximando talento, conhecimento e investimento, pilares fundamentais para um desenvolvimento económico mais diversificado e sustentável.