Governança antecipatória

Sinais de Transformação para o Brasil

12 de Maio de 2026

Governança antecipatória

Sinais de Transformação para o Brasil

O Contexto 

Inspirado pelo Signals Spotlight 2024 do PNUD, em janeiro de 2024, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) do Governo Federal do Brasil buscou a Equipe de Estratégia e Futuros do PNUD para apoiar a criação de uma versão brasileira do relatório. O MGI também demonstrou interesse em desenvolver uma capacidade institucional robusta de antecipação (foresight) para tornar o governo e o serviço público mais antecipatórios, proativos e resilientes. 

"Esta iniciativa com as Nações Unidas faz parte de um processo de aprendizado... Temos a expectativa de que isso possa reverberar e trazer o país um pouco para a reflexão, para pensar, para propor coisas relacionadas ao futuro. Às vezes, temos a sensação de que estamos em um loop temporal, como aquele dia que se repete com variações, e pensamos: 'não, é importante começarmos a construir o futuro agora mesmo'."
— Francisco Gaetani, secretário extraordinário para a transformação do Estado.

O Processo 

A Equipe de Estratégia e Futuros do PNUD iniciou o trabalho com a capacitação de mais de 50 atores-chave do governo brasileiro e parceiros estratégicos nos fundamentos de Foresight, utilizando o modelo Next Gen Foresight Framework — desenvolvido pelo PNUD em parceria com a Universidade de Houston. Na sequência, um grupo de trabalho central composto por nove integrantes da Equipe de Estratégia e Futuros, do Escritório do PNUD no Brasil e do MGI, conduziu um processo de 10 meses estruturado em seis etapas: enquadramento, escaneamento, atribuição de sentido, redação, produção e comunicação. O resultado foi a publicação Futuros do Brasil: Sinais de Transformação, lançada em janeiro de 2026. 

A etapa inicial de enquadramento focou no horizonte de 5 a 10 anos, identificando 16 temas críticos para a governança do país. Para conferir maior estrutura ao processo, esses temas foram organizados em três eixos centrais: Esperança para Futuros Justos, Coragem para Futuros Responsáveis e Capacidade de agir para Futuros Adaptáveis

Após o consenso sobre os temas e eixos, a fase de escaneamento combinou uma ampla pesquisa bibliográfica com entrevistas profundas junto a especialistas para mapear os "TIPPOs" (Trends, Issues, Plans, Projections and Obstacles — Tendências, Questões, Planos, Projeções e Obstáculos) inerentes ao contexto brasileiro. Para complementar as entrevistas, foram realizadas duas consultas — uma voltada ao público geral e outra a especialistas em políticas públicas — que coletaram percepções abrangentes sobre desafios e oportunidades urgentes.  


"Achei que a parte mais valiosa desse processo foi a atribuição coletiva de sentido. Trabalhar lado a lado com diferentes especialistas para interpretar sinais, questionar suposições e moldar futuros plausíveis criou uma compreensão compartilhada que enriqueceu todo o Spotlight." — Mayra Almeida, gerente sênior de projetos, PNUD Brasil. 


Concluída a definição do panorama pela fase de escaneamento, a etapa de atribuição de sentido (Sense Making) voltou-se ao engajamento de atores-chave e à inclusão comunitária. Com esse objetivo, foram realizados oito workshops com representantes da juventude, de instituições dos setores público e privado, lideranças comunitárias e religiosas, instâncias regionais e academia. O propósito foi mapear as esperanças, temores e frustrações dos cidadãos quanto ao presente e ao futuro, de modo a identificar prioridades para políticas públicas e opções estratégicas que respondam a essas demandas. 

A fase de atribuição de sentido encerrou-se com um workshop de Cenários, no qual foram explorados quatro futuros possíveis para o Brasil — cada um deles fundamentado na metáfora de um "almoço brasileiro do futuro". 

 

"O conceito de um 'almoço do futuro' ancora futuros abstratos na realidade cotidiana. Questões como sobre o que estará em nossos pratos daqui a 10 anos, quem cultivará esses alimentos, se teremos o suficiente para comer, isso se torna um futuro relevante para todos os cidadãos. É a provocação como ferramenta. O objetivo de futuros imaginários é provocar uma discussão que a polarização política atual muitas vezes sufoca. Ao imaginar diferentes cenários, quebramos o bloqueio cognitivo que nos faz acreditar que o futuro já está escrito e que é inevitável.” — Claudio Providas, chefe do PNUD no Brasil 


Resultados e Impactos 

A publicação Futuros do Brasil: Sinais de Transformação pretende inspirar os brasileiros sobre as possibilidades positivas para seu futuro compartilhado, instigando o protagonismo e o compromisso coletivo com a produção das mudanças esperadas. 

"O relatório propõe uma mudança conceitual importante: pensar o futuro como uma função legítima e imperativa do Estado. E pensar o futuro não é tentar adivinhar o que acontecerá, fugir do presente, ou fazer especulação. Temos que transformar a antecipação de riscos e a proteção dos interesses de longo prazo da cidadania e das futuras gerações em um pensamento estratégico capaz de entregar qualidade e legitimidade nas ações do Estado, no longo prazo."
— Andrea Bolzon, especialista de Programa da Unidade de Governança e Justiça para o Desenvolvimento do PNUD Brasil.

Até o momento, Sinais de Transformação despertou o interesse de parceiros brasileiros sobre o valor da antecipação e dos esforços coletivos para imaginar o futuro. No entanto, o verdadeiro teste de seu valor será revelado apenas no futuro, quando observarmos quais ações e mudanças o Sinais de Transformação será capaz de inspirar. 

Lições aprendidas e conselhos 

  • Criar um Spotlight (ou outro relatório de futuros) não é o resultado, mas sim um ímpeto para políticas públicas e ação coletiva. Em vez de pensar no Spotlight como um relatório para ser lido e arquivado, seu valor reside em iniciar um novo processo dinâmico que convida a mais e melhores perguntas — uma ferramenta que pode facilitar a tomada de decisão estratégica. Para esse fim, um conjunto de ferramentas para engajamento cívico e um jogo interativo foram desenvolvidos para que comunidades e formuladores de políticas explorem os sinais, cenários e questões estratégicas apresentados no relatório. 
  • Para que as pessoas compartilhem seus pensamentos sobre o futuro, encontre-as “onde elas estão”. O processo de desenvolvimento do Sinais de Transformação envolveu a criação de espaços, tanto presenciais quanto online, onde as pessoas pudessem compartilhar seus pensamentos sobre o futuro de seu país. Algumas pessoas preferiram compartilhar ideias em formato de workshop, enquanto outras preferiram falar individualmente, responder a uma pesquisa ou redigir um ensaio para expressar seus pensamentos. O uso de um jogo ou de exercícios de brainstorming obteve outras respostas. Fazer com que as pessoas compartilhassem histórias pessoais tornou o exercício de coleta de insights tangível, real e instigante. 
  • Ao facilitar workshops, seja flexível. O que funcionou para um workshop pode não funcionar para o próximo. É importante ser capaz de adaptar rapidamente um exercício para cada grupo e não ser precioso demais com o que foi planejado. 
  • Incluir vozes diversas é um exercício ativo. É importante não apenas convidar pessoas de diferentes origens e experiências para a conversa, mas tornar os espaços seguros e confortáveis para que elas compartilhem. 
  • Vá longe e com profundidade. O Sinais de Transformação baseia-se em mais de 500 sinais validados, 14 entrevistas com especialistas, a participação de dezenas de pessoas em oito workshops e dezenas de respostas a pesquisas. Cada sinal ou pensamento foi valioso, oferecendo diferentes perspectivas que, quando combinadas, permitiram à equipe começar a enxergar padrões que sugerem futuros possíveis para o Brasil. No entanto, o valor real do Spotlight não é apenas a curadoria dos sinais, mas como os sinais são conectados para contar uma história maior sobre o futuro. 

Próximos Passos 

O desenvolvimento do relatório Sinais de Transformação representa o primeiro passo no desenvolvimento de uma capacidade de antecipação duradoura e resiliente no governo brasileiro e no serviço público, ajudando a antecipar mudanças e a tomar medidas para navegar nessas possibilidades. Após o lançamento do relatório, o PNUD apoiará o MGI para: 

  • Desenvolver um segundo Signals Spotlight em 2026, produzido pelo governo do Brasil. 
  • Construir capacidades e uma comunidade de escaneamento de sinais dentro do governo e com instituições parceiras fundamentais. 
  • Continuar a desenvolver a capacidade de antecipação em todos os níveis do governo e do serviço público por meio de novos treinamentos e ferramentas.