Série de vídeos marca seis anos de audiências de custódia no Brasil

21 de Dezembro de 2021

Escultura "A Justiça" em frente ao STF, Praça dos Três Poderes, Brasília (DF). Crédito da foto: Mariordo (Wikimedia Commons)

Uma série de cinco vídeos apresenta um histórico, somado a dados e outras informações, dos seis anos de audiências de custódia no Brasil. Uma resolução de dezembro de 2015, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), institucionalizou o funcionamento dessas audiências e criou protocolos para nortear o Sistema de Justiça na apresentação da pessoa presa a um juiz ou juíza no prazo de 24 horas, seguindo orientações internacionais.

Os vídeos foram produzidos em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que vem apoiando o CNJ em ações de fortalecimento das audiências de custódia em todo o país desde 2019, por meio do programa Fazendo Justiça, iniciativa resultante de parceria entre o CNJ e o PNUD, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para incidir em desafios no campo da privação de liberdade.

O primeiro vídeo da série, juntamente com uma publicação comemorativa sobre a evolução das audiências de custódia nos últimos seis anos, foram lançados durante o encerramento do evento Altos Estudos em Audiência de Custódia, em setembro. Os outros quatro vídeos são inéditos e trazem linha do tempo, dados e informações sobre tortura e maus-tratos no ato da prisão.

Para o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ, Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, as mais de 750 mil audiências de custódia já realizadas em todo o país confirmam a importância de um novo olhar para a porta de entrada do sistema prisional. “Além de celebrar as conquistas desses últimos seis anos, o momento é também de assimilar os desafios do contexto atual com a retomada das audiências na pandemia de Covid-19, para seguir no caminho da consolidação desse mecanismo, ao passo em que ampliamos o atendimento social às pessoas custodiadas.”

Diretora do UNODC no Brasil, Elena Abbati destaca os avanços nos últimos dois anos no campo das audiências de custódia, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais. Com o apoio do programa Fazendo Justiça, foram publicados diversos manuais técnicos para orientar a tomada de decisão da magistratura, a partir de parâmetros construídos por meio de evidências.

O representante residente adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, Carlos Arboleda, ressalta que o trabalho conjunto entre PNUD e UNODC reforça o compromisso das Nações Unidas -  e mobiliza esforços técnicos - em prol de uma Justiça cada vez mais efetiva para a garantia dos direitos humanos.

O CNJ tem investido na institucionalização dos atendimentos sociais no contexto das audiências de custódia. Por meio de metodologia baseada em princípios de proteção social, articulação em rede e cidadania, tem ampliado e fortalecido a oferta desses serviços, institucionalizados no Atendimento à Pessoa Custodiada (Apec), já presente em 21 estados.

Coordenador adjunto do programa Fazendo Justiça no tema das audiências de custódia, Rafael Barreto avalia que elas trouxeram um ineditismo para o controle da porta de entrada. “Desde 2015 vemos que o percentual de presos provisórios no Brasil reduziu consideravelmente, e não temos dúvida de que a audiência de custódia teve um papel muito importante nesse processo.”

Em breve, serão lançados mais oito vídeos curtos que detalham o funcionamento das audiências de custódia, em linguagem simplificada para otimizar o repasse de informações relevantes a pessoas presas e seus familiares.

Assista aos vídeos no canal do CNJ no YouTube acessando o link.