Escultura "A Justiça" em frente ao STF, Praça dos Três Poderes, Brasília (DF). Crédito da foto: Mariordo (Wikimedia Commons)
Uma série de cinco vídeos apresenta um histórico, somado a dados e outras informações, dos seis anos de audiências de custódia no Brasil. Uma resolução de dezembro de 2015, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), institucionalizou o funcionamento dessas audiências e criou protocolos para nortear o Sistema de Justiça na apresentação da pessoa presa a um juiz ou juíza no prazo de 24 horas, seguindo orientações internacionais.
Os vídeos foram produzidos em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), que vem apoiando o CNJ em ações de fortalecimento das audiências de custódia em todo o país desde 2019, por meio do programa Fazendo Justiça, iniciativa resultante de parceria entre o CNJ e o PNUD, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, para incidir em desafios no campo da privação de liberdade.
O primeiro vídeo da série, juntamente com uma publicação comemorativa sobre a evolução das audiências de custódia nos últimos seis anos, foram lançados durante o encerramento do evento Altos Estudos em Audiência de Custódia, em setembro. Os outros quatro vídeos são inéditos e trazem linha do tempo, dados e informações sobre tortura e maus-tratos no ato da prisão.
Para o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas do CNJ, Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, as mais de 750 mil audiências de custódia já realizadas em todo o país confirmam a importância de um novo olhar para a porta de entrada do sistema prisional. “Além de celebrar as conquistas desses últimos seis anos, o momento é também de assimilar os desafios do contexto atual com a retomada das audiências na pandemia de Covid-19, para seguir no caminho da consolidação desse mecanismo, ao passo em que ampliamos o atendimento social às pessoas custodiadas.”
Diretora do UNODC no Brasil, Elena Abbati destaca os avanços nos últimos dois anos no campo das audiências de custódia, alinhando o Brasil às melhores práticas internacionais. Com o apoio do programa Fazendo Justiça, foram publicados diversos manuais técnicos para orientar a tomada de decisão da magistratura, a partir de parâmetros construídos por meio de evidências.
O representante residente adjunto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, PNUD, Carlos Arboleda, ressalta que o trabalho conjunto entre PNUD e UNODC reforça o compromisso das Nações Unidas - e mobiliza esforços técnicos - em prol de uma Justiça cada vez mais efetiva para a garantia dos direitos humanos.
O CNJ tem investido na institucionalização dos atendimentos sociais no contexto das audiências de custódia. Por meio de metodologia baseada em princípios de proteção social, articulação em rede e cidadania, tem ampliado e fortalecido a oferta desses serviços, institucionalizados no Atendimento à Pessoa Custodiada (Apec), já presente em 21 estados.
Coordenador adjunto do programa Fazendo Justiça no tema das audiências de custódia, Rafael Barreto avalia que elas trouxeram um ineditismo para o controle da porta de entrada. “Desde 2015 vemos que o percentual de presos provisórios no Brasil reduziu consideravelmente, e não temos dúvida de que a audiência de custódia teve um papel muito importante nesse processo.”
Em breve, serão lançados mais oito vídeos curtos que detalham o funcionamento das audiências de custódia, em linguagem simplificada para otimizar o repasse de informações relevantes a pessoas presas e seus familiares.
Assista aos vídeos no canal do CNJ no YouTube acessando o link.
