Nova York, 2 de setembro de 2020 – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) dará início, na América Latina e Caribe, a uma série de consultas com diversos atores da região, incluindo acadêmicos, ativistas, representantes do setor privado, jornalistas e jovens lideranças para discutir como enfrentar a crise de governança na região e relançar seu programa de governança regional.
Os tópicos da discussão incluem as capacidades do Estado e a luta contra a corrupção, equidade social e as reformas fiscais necessárias para construir uma nova normalidade, mais pacífica e inclusiva, na América Latina e no Caribe. O objetivo final é buscar, juntos, o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável incluídos na Agenda 2030.
Esse processo implica, necessariamente, a busca por acordos políticos e sociais que garantam paz e coesão social. A magnitude da crise de governança requer o reconhecimento de que uma crise sem precedentes requer soluções inovadoras.
Uma crise de governança
Nas últimas semanas, a pandemia de COVID-19 se aprofundou na América Latina. Os aspectos sanitários, humanitários e econômicos dessa crise não tem precedentes históricos.
Projeções apontam que cerca de 30 milhões de pessoas cairão na pobrezae o número de desempregados chegará a mais de 44 milhões. A contração na produtividade e na economia são tão profundas que, segundo estimativas, os níveis de atividade econômica de 2019 não serão recuperados até 2023.
“Assim como os efeitos do novo coronavírus em um organismo com doenças pré-existentes, nossas sociedades são mais afetadas por deficiências estruturais crônicas pré-pandêmicas: alta desigualdade, contratos sociais fragmentados, baixa produtividade e crescimento, pouca confiança nas instituições públicas e fragilidade fiscal. É por isso que a COVID-19 na América Latina não é apenas uma crise sanitária e socioeconômica, mas também uma crise de governança”, declarou o Subsecretário Geral das Nações Unidas e Diretor Regional do PNUD para América Latina e Caribe, Luis Felipe López-Calva.
No momento em que a população da região - com pelo menos 23 milhões de pobres a mais - aspira a uma presença mais robusta e solidária do Estado, as capacidades dele estão abaixo das expectativas dos cidadãos e cidadãs. Encontrar caminhos para estabelecer uma governança efetiva é, portanto, fundamental para a região.
