Quando inovação produtiva protege a atmosfera: a conversão do setor de espumas de poliuretano no Brasil
29 de Junho de 2026
Quando inovação produtiva protege a atmosfera: a conversão do setor de espumas de poliuretano no Brasil
Imagine o impacto de converter um setor inteiro, em um país de dimensões continentais, para eliminar substâncias que prejudicam a Camada de Ozônio e contribuem para a mudança do clima. A conversão do setor de espumas de poliuretano no Brasil é um exemplo concreto de como políticas públicas bem desenhadas, cooperação internacional e diálogo com o setor produtivo podem gerar transformações profundas e duradouras em favor do meio ambiente, da saúde e do desenvolvimento sustentável.
Desde 2010, o PNUD apoia o Brasil na preparação e na implementação do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH). Esse esforço contínuo foi fundamental para viabilizar a transição completa do setor de espumas de poliuretano para tecnologias mais sustentáveis, seguras para a Camada de Ozônio e com menor impacto sobre o clima.
Muito além da troca de substâncias: uma mudança de cultura produtiva
A conversão do setor não se resumiu à substituição de um insumo por outro. Ela promoveu uma modernização ampla da indústria, envolvendo novos processos, mais eficiência e segurança, assim como a adoção de boas práticas. As empresas passaram a operar com tecnologias mais modernas e preparadas para o uso seguro de substâncias inflamáveis, elevando os padrões de qualidade e proteção no ambiente industrial.
Essa atuação mostrou que a proteção ambiental pode caminhar lado a lado com a inovação e o fortalecimento da indústria nacional, criando soluções que beneficiam tanto o meio ambiente quanto a economia.
No Brasil, o PNUD atua como agência líder na implementação do PBH, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Essa atuação conjunta garantiu uma transição planejada, segura e alinhada às melhores práticas internacionais, sempre considerando a realidade e as necessidades do setor produtivo.
Representantes de empresas que fizeram parte dessa transformação do setor deram seus depoimentos de satisfação com toda a trajetória conjunta:
‘‘O PNUD, assim como Governo federal, foram bastante solícitos, muito presentes em toda a trajetória, em toda a mudança, nos auxiliando a fazer com que fosse possível essa modificação nos nossos produtos", declara Natalie Ardrizzo, da empresa Termolar.
Com apoio técnico e financeiro, as empresas foram capazes de adaptar seus processos e assumir compromissos claros com a eliminação definitiva de substâncias que prejudicam a Camada de Ozônio. Ao mesmo tempo, esse modelo incentivou o compartilhamento de conhecimento e a disseminação das novas tecnologias ao longo de toda a cadeia produtiva.
Um modelo que inspira outras agendas ambientais
A experiência do setor de espumas de poliuretano demonstra que é possível transformar um setor inteiro quando há visão de longo prazo, previsibilidade e cooperação. Esse modelo de conversão produtiva oferece lições valiosas para outras agendas ambientais, como a eficiência energética, a economia circular e a transição para tecnologias de baixo carbono.
Além de reduzir impactos ambientais, a iniciativa contribuiu para melhorar a segurança no trabalho, preservar empregos, estimular a inovação e preparar a indústria brasileira para desafios futuros relacionados ao clima e à sustentabilidade.
‘‘Se todas as empresas aderissem a projetos ambientais como esse, não só o Brasil agradeceria, como o mundo também’’, afirma Josiane Cavalcante, da empresa Interativa.
‘‘É importante para a sociedade aderirmos a programas como esse, eliminando os gases, ajudando a nossa Camada de Ozonio, e o meio ambiente que também é um quesito que precisamos preservar, cada dia mais buscar soluções ambientais em todos os processos industriais, para um futuro melhor para as nossas gerações.’’- Vagner Macedo Eloy, da empresa Gotherma
A conversão do setor de espumas de poliuretano no Brasil é, acima de tudo, uma história de sucesso coletivo. Ela mostra que proteger a atmosfera não significa frear o desenvolvimento, mas reorientá‑lo para caminhos mais inteligentes, seguros e sustentáveis.
Ao transformar desafios ambientais em oportunidades de inovação, o Brasil reforça seu papel como protagonista na implementação do Protocolo de Montreal e inspira outras iniciativas que buscam conciliar crescimento econômico, proteção ambiental e bem‑estar social, tanto atual como para as próximas gerações.
Lições aprendidas e conselhos
A conversão do setor de espumas de poliuretano no Brasil demonstra que transformações estruturais no setor produtivo são possíveis quando há coordenação institucional, previsibilidade e engajamento do setor privado. A experiência acumulada ao longo da implementação da Etapa II do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) oferece lições relevantes para outras agendas ambientais e industriais:
- Visão de longo prazo é essencial para mudanças estruturais. A conversão bem‑sucedida de um setor inteiro exigiu planejamento contínuo, metas claras e previsibilidade regulatória, permitindo que as empresas se adaptassem de forma segura e eficiente.
- Diálogo com o setor produtivo fortalece a implementação. A construção conjunta de soluções, baseada em apoio técnico e financeiro, gerou confiança, engajamento e compromisso com a eliminação definitiva de substâncias prejudiciais à Camada de Ozônio.
- Transformação produtiva vai além da substituição de insumos. A experiência mostrou que inovação, modernização de processos, capacitação e adoção de boas práticas de segurança são componentes centrais de uma transição bem‑sucedida.
- Proteção ambiental e desenvolvimento econômico podem (e devem) caminhar juntos. A conversão do setor fortaleceu a indústria nacional, preservou empregos e aumentou a competitividade, ao mesmo tempo em que reduziu impactos ambientais.
- Antecipar soluções é mais eficaz do que reagir a crises. Ao se preparar para compromissos futuros, como a implementação da Emenda de Kigali, o país demonstra que políticas ambientais preventivas geram ganhos duradouros para o clima, a economia e a sociedade.