Pelo Ambiente, redescobrimos os nossos tesouros

Neste Dia Internacional do Ambiente, 5 de Junho, celebramos o compromisso dos vários homens e mulheres de proteger e valorizar a riqueza biológica de Angola, como forma de alcançar os Objectivos pelo Desenvolvimento Sustentável. É de maior importância para nós celebrar, promover e proteger a riqueza ambiental, como património único de Angola, mas também como potencial ecoturístico num futuro próximo, o que será significativo para todos.

Hoje, o país conta com 14 áreas de conservação, destacadas na nova Estratégia Nacional e Plano de Acção da Biodiversidade 2019-2025, completando 156.909,9 km2, o que representa 12,58% do território terrestre angolano. Destas 14 áreas, 5 fazem parte do projecto Expansão e Fortalecimento do Sistema das Áreas Protegidas em Angola: os Parques nacionais de Bicuar, Cangandala, Quiçama, Maiombe e a Reserva Natural Integral do Luando.

Elefantes, facocheros, porcos bravos, gungas, olongos, palancas vermelhas, bambis, punjas, mabecos, hienas malhadas e leopardos são alguns dos emblemáticos representantes da vida selvagem protegida no Parque Nacional de Bicuar, na província da Huíla, onde foi reforçada a conservação com o desenvolvimento de um Plano de Gestão 2020-2029. Este é um dos quatro Planos de gestão desenvolvidos com o apoio do projecto, na perspectiva de reforçar a conservação dos ecossistemas e integrar as comunidades na gestão das áreas de conservação. Os outros Parques abrangidos por Planos de Gestão são o de Cangandala, Quiçama e Maiombe.

Como expressão física dos planos de gestão, várias infraestruturas foram melhoradas, para permitir aos administradores e fiscais dos parques executarem mais eficazmente as suas missões. Assim, além de renovar e financiar novo equipamento para os fiscais (uniformes, botas, rádio, GPS etc.), foram construídos 16 postos nos Parques Nacionais de Cangandala, Quiçama e Bicuar, facilitando a presença contínua dos fiscais nas áreas protegidas para deter tentativas de caça furtiva. E como a mobilidade é chave nessas áreas de grande tamanho, as patrulhas podem ser agora feitas de carro, de mota ou de barco, segundo às especificidades dos 3 parques.

A conservação sustentável da biodiversidade implica também facilitar o acesso às áreas protegidas para visitantes, para que possam conhecer melhor o seu país, descobrir a sua diversidade ambiental. Neste sentido, o Parque Nacional de Cangandala foi equipado com uma zona vedada onde, a partir de uma plataforma especialmente desenhada, os turistas terão a oportunidade de observar a fauna e, em particular, a Palanca Negra Gigante, espécie emblemática de Angola.

A protecção de uma porção sempre maior dos vários ecossistemas angolanos facilita a preservação dos vários serviços ecossistémicos oferecidos pelos distintos tipos de vegetação e de fauna do país. Assim, 3 áreas estão a ser consideradas como novas possíveis áreas de conservação: o Morro de Moco, província do Huambo, floresta afro-montana altamente ameaçada em todos os lugares onde existe no continente Africano, a Floresta de Kumbira, no Cuanza Sul, e a Serra do Pingano, no Uíge, integrando características únicas da escarpa angolana.

Nas zonas onde vivem comunidades, os usos tradicionais das áreas devem ser enquadrados na estratégia de conservação. Assim, em vários parques, estuda-se a gestão participativa das áreas, incluindo o desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, como o turismo ambiental e a apicultura, com as comunidades locais.

Com um dos níveis de endemismo mais alto da África, Angola tem investido na monitoria e nas pesquisas sobre os seus ecossistemas. Esse trabalho reforça a capacidade das instituições de conservação para orientar as políticas nacionais de gestão, actividades implementadas localmente, e os resultados progressivamente atingidos.

De facto, o Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação tem supervisionado levantamentos da fauna, estudos de campo e o estabelecimento de um sistema de informação geográfica da rede das áreas de conservação, implementados por consultores e organizações nacionais e internacionais. Esta base de dados já tem demostrado a sua mais valia, permitindo promover riquezas desconhecidas, redescobrir espécies consideradas localmente extintas (por falta de estudos específicos), e assim criar uma fonte pelo fortalecimento da educação ambiental no país.

Esses são alguns dos resultados atingidos com contribuição do projecto Expansão e Fortalecimento do Sistema das Áreas Protegidas em Angola, financiado pelo Fundo Global pelo Ambiente (GEF) com 5,8 milhões de dólares, e implementado pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA), por via do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC) com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A expansão da rede das áreas de conservação não visa somente as áreas terrestres. Há uma nova dinâmica no projecto Criação de Áreas de Conservação Marinhas em Angola, também financiado (com 1,7 milhão de dólares) pelo GEF, até 2023. Ameaçadas ou mal conhecidas, Baleia azul, golfinho de Heaviside de Benguela, Baleia de Bossa ou Orca e tartarugas marinhas são algumas das espécies que vão beneficiar da criação da primeira área de conservação marinha e do desenvolvimento de uma estratégia de conservação marinha de Angola.

Com a aprovação do projecto “Combate ao Comércio Ilegal da Vida Selvagem e ao Conflito entre Humanos e Animais Selvagens em Angola”, com um orçamento de 4,1 milhões de dólares americanos, igualmente financiado pelo GEF, as capacidades técnicas e financeiras do MCTA para a conservação da biodiversidade do país serão ainda mais fortalecidas.

No total, graças às sinergias nacionais e internacionais, os projectos ambientais actualmente em implementação pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, com o apoio do PNUD, são avaliados em 25.9 milhões de dólares americanos. Este valor inclui os projectos de mitigação e adaptação às alterações climáticas que têm um impacto positivo em prol de uma biodiversidade saudável.

É fundamental celebrarmos o património ambiental, como bem único, mas também como potencial ecoturístico num futuro próximo, o que será significativo para atingirmos o desenvolvimento sustentável