Esperança de melhores empregos supera ideologia religiosa no recrutamento para grupos extremistas na África Subsaariana

Resultados de novo relatório do PNUD desafiam pressupostos tradicionais sobre o que leva as pessoas ao extremismo violento

10 de Fevereiro de 2023
UNDP Nigeria / Rejoice Emmanuel

Nova York - A esperança de encontrar trabalho é o principal fator que leva pessoas a ingressarem em grupos extremistas violentos na África Subsaariana, de acordo com novo relatório do PNUD.

Em cerca de 2.200 entrevistados, um quarto dos recrutados voluntários citou oportunidades de emprego como a principal razão de adesão, um aumento de 92% em relação às conclusões de um estudo pioneiro do PNUD de 2017.

A religião foi a terceira razão para a adesão, citada por 17% - uma diminuição de 57% em relação às conclusões de 2017, com a maioria dos recrutados admitindo ter um conhecimento limitado dos textos religiosos.

Quase metade dos entrevistados citaram um evento de desencadeamento específico que os pressionou a se juntarem a grupos extremistas violentos, com impressionantes 71% apontando o abuso dos direitos humanos, frequentemente conduzido pelas forças de segurança do Estado, como "a virada de chave".

"A África Subsaariana tornou-se o novo epicentro global do extremismo violento, com 48% das mortes por terrorismo global em 2021. Esse surto não afeta negativamente somente vidas, segurança e paz, como também ameaça inverter os ganhos de desenvolvimento duramente conquistados para as gerações futuras. As respostas antiterroristas impulsionadas pela segurança são frequentemente dispendiosas e minimamente eficazes, no entanto, os investimentos em abordagens preventivas ao extremismo violento são terrivelmente inadequados. O contrato social entre estados e cidadãos deve ser revigorado para combater as causas profundas do extremismo violento", disse o Administrador mundial do PNUD, Achim Steiner.

"Journey to Extremism in Africa: Pathways to Recruitment and Disengagement”   é fruto de entrevistas com cerca de 2.200 pessoas em oito países: Burkina Faso, Camarões, Chade, Mali, Níger, Nigéria, Somália, e Sudão. Mais de 1.000 entrevistados são antigos membros de grupos extremistas violentos, tanto voluntários como recrutados à força.

O relatório explora caminhos para fora do extremismo violento, identificando fatores que atraem ou afastam os recrutados. Os entrevistados citam mais frequentemente expectativas não satisfeitas, particularmente expectativas financeiras, e falta de confiança na liderança do grupo como  principais razões para partirem. Também apresenta dados sobre o gênero para compreender o extremismo violento da perspectiva das mulheres.

"A investigação mostra que aqueles que decidem desvincular-se do extremismo violento têm menos probabilidade de voltar a ingressar em outros grupos. Por isso, é tão importante investir em incentivos que permitam a desvinculação. As comunidades locais desempenham papel crucial no apoio a vias sustentáveis de saída do extremismo violento, juntamente com os programas de anistia dos governos nacionais", disse a líder do programa de Prevenção ao Extremismo Violento na África, do PNUD, Nirina Kiplaga.

Para combater e prevenir o extremismo violento, o relatório recomenda mais investimento em serviços básicos, incluindo o bem-estar infantil; educação; meios de subsistência de qualidade; e investimento em homens e mulheres jovens. Apela também para a ampliação das oportunidades de saída e ao investimento em serviços de reabilitação e reintegração na comunidade.

O relatório faz parte de uma série de três sobre a prevenção ao extremismo violento, incluindo o relatório "Dynamics of Violent Extremism in Africa" (Dinâmica do extremismo violento na África): Conflict Ecosystems, Political Ecology, and the Spread of the Proto-State" que analisa as últimas dinâmicas de grupos extremistas violentos na África Subsaariana e fornece recomendações para acções de desenvolvimento específicas.